terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reflexões de Fidel sobre a Líbia


No dia 20/02, publiquei que devíamos ter cuidado com as notícias sobre a Líbia. Em primeiro lugar, pela história da Revolução Líbia e do próprio Kadafi. E em segundo, pelas fontes nada confiáveis como a ONG golpista Human Right Watch.

Acrescento agora minhas suspeitas sobre as notícias "estilo Fox News" como a de que a Força Áerea da Líbia teria bombardeado manifestantes e a de que Kadafi teria fugido para a Venezuela.

Hoje, tenho certeza que não estou sozinho em minha cautela. Fidel Castro publicou, no dia 21 de fevereiro, suas reflexões sobre a situação da Líbia (veja tradução livre abaixo e o original aqui).

O Comandante, além de denunciar as "pérfidas intenções" dos que mentem sobre situação líbia, alertou que "deve-se esperar o tempo necessário para conhecermos com rigor o que é verdade e o que é mentira".

Mais grave, Fidel revelou os planos da OTAN de invadir a Líbia e apoderar-se de suas ricas reservas de petróleo.

A imprensa imperialista, ao mesmo tempo que prepara a justificativa para a invasão da Líbia, tira de cena a continuidade da revolução no Egito, que não acabou com a troca de Mubarak por meia dúzia de seus próprios generais.

Veja abaixo a análise de Fidel.

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O Plano da OTAN é invadir a Líbia

O petróleo converteu-se na principal riqueza nas mãos das grandes transnacionais yankes. Através dessa fonte energética, elas passaram a dispor de um instrumento que aumentou consideravelmente seu poder político sobre o mundo. Privar Cuba de petróleo foi a principal arma usada pelas transnacionais quando decidiram liquidar a Revolução Cubana, tão logo foram promulgadas as primeiras leis justas e soberanas em nossa Pátria.

Sobre essa fonte de energia desenvolveu-se a civilização atual. Venezuela foi a nação deste hemisfério que pagou o maior preço. Os Estados Unidos fizerem-se donos das enormes reservas com que a natureza dotou esse país irmão.

Ao fim da última Guerra Mundial, os EUA começaram a explorar maiores quantidades de petróleos do Irã, assim como da Arábia Saudita, Iraque e dos países árabes situados ao redor. Esses passaram a ser seus principais fornecedores. O consumo mundial elevou-se progressivamente à fabulosa cifra de aproximadamente 80 milhões de barris por dia, incluindo os que são extraídos no território dos Estados Unidos. A essa cifra soma-se o consumo de gás, energia hidráulica e nuclear. Até o início do século XX o carvão era a fonte fundamental de energia que tornou possível o desenvolvimento industrial, antes de serem produzidos bilhões de automóveis e motores consumidores de combustível líquido.

O consumo exagerado de petróleo e gás está associado a uma das maiores tragédias, ainda não resolvida, que castiga a humanidade: a mudança climática.

Quando nossa Revolução surgiu, Argélia, Líbia e Egito não eram produtores de petróleo e grande parte das enormes reservas da Arábia Saudita, Iraque, Irã e Emirados Árabes Unidos ainda não tinha sido descobertas.

Em dezembro de 1951, a Líbia converteu-se no primeiro país africano a alcançar sua independência depois da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, seu território foi cenário de importantes combates entre as tropas alemãs e do Reino Unido, que deram fama aos generais Erwin Rommel e Bernard L. Montgomery.

95% do território líbio é totalmente desértico. A tecnologia permitiu descobrir importantes reservas de petróleo leve de excelente qualidade que hoje alcançam 1,8 milhões de barris por dia e abundantes depósitos de gás natural. Tal riqueza permitiu alcançar um expectativa de vida de quase 75 anos e a mais alta renda per capita da África. Seu rigoroso deserto está assentado sobre um enorme lago de água fóssil, equivalente a mais de três vezes a superfície de Cuba, com o qual foi possível construir uma ampla rede de condutores de água doce que se estende por todo o país.

A Líbia, que tinha 1 milhão de habitantes quando de sua independência, conta hoje com pouco mais de 6 milhões. A Revolução Líbia teve lugar no mês de setembro do ano de 1969. Seu principal dirigente foi Muammar al-Kadafi, militar de origem beduína, que em sua juventude se inspirou nas idéias do líder egípcio Gamal Abdel Nasser. Sem dúvida, muitas de suas decisões estão associadas com as mudanças que se produziram quando, assim como no Egito, uma débil e corrupta monarquia foi derrubada do poder na Líbia.

Os habitantes da Líbia tem tradições guerreiras milenares. Diz-se que os antigos líbios formaram parte do exército de Aníbal quando este esteve a ponto de liquidar Roma Antiga com suas tropas que cruzaram os Alpes.

Pode-se estar ou não de acordo com Kadafi. O mundo tem sido invadido, pelos meios massivos de informação, com todo tipo de notícia. Deve-se esperar o tempo necessário para conhecer com rigor o que é verdade e o que é mentira nos atos de todos os tipos que, em meio ao caos, estão sendo realizados na Líbia. O que para mim é absolutamente evidente é que o Governo dos Estados Unidos não se preocupa em absoluto com a paz na Líbia e não vacilará em dar à OTAN a ordem de invadir esse rico país, talvez em questão de horas ou em muito poucos dias.

Os que com pérfidas intenções inventaram a mentira de que Kadafi se dirigia para a Venezuela, como fizeram na tarde de domingo, 20 de fevereiro, receberam hoje a digna resposta do Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, quando expressou textualmente que fazia "votos para que o povo líbio encontre, no exercício de sua soberania, uma solução pacífica para suas dificuldades e que preserve a integridade de seu povo e da nação líbia, sem a ingerência do imperialismo".

De minha parte, não imagino o dirigente líbio abandonando o país ou fugindo das responsabilidades que lhe imputam, sejam ou não falsas em parte ou em sua totalidade.

Uma pessoa honesta estará sempre contra qualquer injustiça que se cometa contra qualquer povo do mundo, e a pior delas, neste instante, é ficar em silêncio ante ao crime que a OTAN se prepara para cometer contra o povo líbio.

O comando desta organização belicista está pronto para cometê-lo.

Deve ser denunciado!

Fidel Castro
21/02/2011

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