domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Líbia pode ser diferente

Os levantes populares que tomam conta do mundo árabe são a justa revolta da população contra as péssimas condições de vida impostas por governos submissos aos interesses dos Estados Unidos.

Esse era o caso dos governos da Tunísia, do Egito e ainda o é do governo do Barein, Arábia Saudita, Jordânia e outros.

Entretanto, a Líbia pode ser diferente.

O governo líbio, dirigido por Muammar al-Kadafi, é historicamente um adversário do imperialismo estadunidense na região.

Em 1969, Kadafi liderou uma revolução popular que derrubou a monarquia do Rei Ídris I, que governava em nome das petroleiras multinacionais.

No poder, Khaddafi expulsou as bases militares dos EUA e da Inglaterra, nacionalizou a indústria do petróleo e apoiou movimentos revolucionários em várias partes do mundo.

Junto ao egípcio Gamal Abdel Nasser, Kadafi foi um dos símbolos da luta contra o colonialismo no Oriente Médio e Norte da África.

Nos últimos anos, porém, o governo líbio tem adotado várias medidas para aumentar suas relações com os Estados Unidos e a Europa.

Apesar disso, ao contrário dos outros governos da região, a queda de Kadafi seria comemorada em Washington.

Chama a atenção também o fato de que os números sobre os conflitos na Líbia tenham como principal fonte a ONG Human Right Watch (HRW).

A HRW é conhecida no mundo por se utilizar de sua fachada de defesa dos direitos humanos para desestabilizar governos progressistas.

Em 2007, HRW foi expulsa da Venezuela por apoiar a oposição golpista.

Essa não seria a primeira vez que o imperialismo, visando seus próprios interesses, manobra os sentimentos de frações da população.

Já vimos isso na Venezuela, no Irã e na Bolívia.

Por outro lado, essa não seria também, infelizmente, a primeira vez que um governo revolucionário degenera-se em uma ditadura.

Portanto, vale o aviso: atenção com as notícias sobre a Líbia.


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