sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ah, que falta faz um partido comunista




Diante da insurreição popular, a imprensa burguesa não consegue mais esconder o caráter ditatorial dos governos pró-EUA no Oriente Médio.

A mesma imprensa que há apenas alguns meses retratava o Irã como o centro da opressão mundial, agora, de repente, descobre, depois de 30 anos (!), que Mubarak é um ditador!

Milhares, ou melhor, milhões de pessoas tomam as ruas do Cairo e das principais cidades do Egito (o mais populoso país do mundo árabe).

O até ontem tão temido aparato de repressão de Mubarak é literalmente atropelado pelo povo egípcio (vejam o extraordinário vídeo acima).

O exército, perplexo e impotente, está claramente sem condições e sem comando para debelar a insurreição.

Não consigo imaginar uma situação mais clara de vácuo de poder.

O "cavalo selado" está passando.

Infelizmente, insurreições populares como a que está acontecendo no Egito não podem, espontâneamente, efetivar as mudanças que as motivam.

São capazes de derrubar governos imperialistas. Mas não conseguem colocar em seu lugar um governo dos trabalhadores.

Para isso, é preciso que haja um partido comunista revolucionário, respeitado e integrado às massas populares que agora travam batalhas homéricas nas ruas egípcias.

Se no Egito houvesse tal partido, os enfrentamentos não aconteceriam quase que ao acaso e em resposta às provocações dos agentes pró-Mubarak.

Pelo contrário, seguiriam um plano elaborado e coordenado.

Derrotar as últimas trincheiras do moribundo governo de Mubarak, anunciar a instalação de um novo governo. Consolidá-lo junto ao povo desperto através da socialização dos meios de produção.

(Não posso deixar de recomendar a leitura do imprescindível livro "Dez dias que abalaram o mundo", de John Reed)

A luta no Egito já dura 12 dias e exige esforços e sacrifícios gigantescos ao seu povo. Não há como dizer quanto tempo poderá ser mantida.

Mas é fato que há um limite.

E aí o cavalo selado terá passado e a oportunidade histórica perdida.

Tudo agora é uma questão de tempo.

Obama e os imperialistas sabem disso. É esse o real significado da "transição pacífica" pregada pelo governo dos EUA.

Esgotar o impulso revolucionário do povo egípcio. Confudí-lo, extenuá-lo. Trocar o governo de Mubarak por um outro igualmente aliado aos interesses norte-americanos.

Claro, esse novo governo (de ElBaradei, por exemplo) concederia liberdades democráticas e atenderia a algumas das demandas populares. Mas seria incapaz ou sequer teria interesse em realizar as profundas transformações pelas quais lutam os egípcios.

Nada, entretanto, está definido. Pois, se agora tudo é um questão de tempo, há dias que valem por anos.

Nos últimos 12 dias, a História do Egito passou mais rápido do que nos últimos 30 anos juntos!

Nada impede, portanto, que nesse exato momento esteja nascendo uma organização política capaz de desempenhar as funções de um partido comunista revolucionário.

Por isso, não perco a esperança de que o país que é mundialmente conhecido pelo poder de seus Faraós seja, em breve, admirado pelo poder de seu povo livre e soberano.



3 comentários:

  1. Grande analise Humberto!!
    O Egito é uma prova viva do universalismo revolucionário.
    A velha mentira ocidental que os arabés precisam de ditadores caiu com essa revolta.
    Os dados foram lançados, e que caiam no lado certo da História e esse "cavalo seja finalmente selado"
    Saudaçoes e Solidariedade ao Povo Egípcio
    Fred

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  2. se fosse aqui no brasil, estaríamos na mesma situação do povo egípcio, afinal, os partidos que se dizem comunistas, e até os revolucionários, estão mais precocupados em fazer alianças políticas do que "se integrar às massas populares" e fazer junto a elas "batalhas homéricas"...

    Carol

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  3. Carol,

    Concordaria se você tivesse escrito "a maioria dos partidos que se dizem comunistas". Como você parece generalizar, não posso estar de acordo. Além disso, "fazer alianças políticas" não é, por definição, uma coisa ruim. Depende do momento, das condições e dos objetivos gerais e imediatos da aliança.

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