quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

EUA prepara-se para atacar a Líbia


Ontem publiquei a grave, e agora confirmada, denúncia feita por Fidel Castro sobre os preparativos da OTAN para atacar a Líbia (aqui).

Hoje, Obama confirmou "que irá coordenar ações com os aliados europeus para conter a violência no país" (aqui).

Já vimos esse roteiro.

Em 2002, os EUA se utilizaram da comoção internacional pelas mortes no ataque ao World Trade Center para invadir o Afeganistão.

Agora, os EUA se aproveitam do levante popular no mundo árabe para atacar a Líbia.

Não acredito nas notícias da Fox News nem em números de ONGs como a Human Right Watch, expulsa da Venezuela por opoiar a oposição golpista.

Esse mesmo tipo de imprensa se esforça para fazer-nos crer que a revolução no Egito se encerrou com a troca de Mubarak por uma junta militar composta por integrantes da ditadura.

Portanto, se conquistar a Líbia, o saldo para o imperialismo do levante árabe pode, por incrível que pareça, não ser tão ruim.

Não se trata de defender incondicionalmente o governo de Kadafi.

Mas os EUA não pouparão esforços diplomáticos, midiáticos e financeiros para controlar e dirigir os autênticos manifestantes líbios e, no fim, transformá-los em agentes inconscientes do imperialismo.

Uma coisa é certa: a pior das hipóteses é a invasão da OTAN.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reflexões de Fidel sobre a Líbia


No dia 20/02, publiquei que devíamos ter cuidado com as notícias sobre a Líbia. Em primeiro lugar, pela história da Revolução Líbia e do próprio Kadafi. E em segundo, pelas fontes nada confiáveis como a ONG golpista Human Right Watch.

Acrescento agora minhas suspeitas sobre as notícias "estilo Fox News" como a de que a Força Áerea da Líbia teria bombardeado manifestantes e a de que Kadafi teria fugido para a Venezuela.

Hoje, tenho certeza que não estou sozinho em minha cautela. Fidel Castro publicou, no dia 21 de fevereiro, suas reflexões sobre a situação da Líbia (veja tradução livre abaixo e o original aqui).

O Comandante, além de denunciar as "pérfidas intenções" dos que mentem sobre situação líbia, alertou que "deve-se esperar o tempo necessário para conhecermos com rigor o que é verdade e o que é mentira".

Mais grave, Fidel revelou os planos da OTAN de invadir a Líbia e apoderar-se de suas ricas reservas de petróleo.

A imprensa imperialista, ao mesmo tempo que prepara a justificativa para a invasão da Líbia, tira de cena a continuidade da revolução no Egito, que não acabou com a troca de Mubarak por meia dúzia de seus próprios generais.

Veja abaixo a análise de Fidel.

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O Plano da OTAN é invadir a Líbia

O petróleo converteu-se na principal riqueza nas mãos das grandes transnacionais yankes. Através dessa fonte energética, elas passaram a dispor de um instrumento que aumentou consideravelmente seu poder político sobre o mundo. Privar Cuba de petróleo foi a principal arma usada pelas transnacionais quando decidiram liquidar a Revolução Cubana, tão logo foram promulgadas as primeiras leis justas e soberanas em nossa Pátria.

Sobre essa fonte de energia desenvolveu-se a civilização atual. Venezuela foi a nação deste hemisfério que pagou o maior preço. Os Estados Unidos fizerem-se donos das enormes reservas com que a natureza dotou esse país irmão.

Ao fim da última Guerra Mundial, os EUA começaram a explorar maiores quantidades de petróleos do Irã, assim como da Arábia Saudita, Iraque e dos países árabes situados ao redor. Esses passaram a ser seus principais fornecedores. O consumo mundial elevou-se progressivamente à fabulosa cifra de aproximadamente 80 milhões de barris por dia, incluindo os que são extraídos no território dos Estados Unidos. A essa cifra soma-se o consumo de gás, energia hidráulica e nuclear. Até o início do século XX o carvão era a fonte fundamental de energia que tornou possível o desenvolvimento industrial, antes de serem produzidos bilhões de automóveis e motores consumidores de combustível líquido.

O consumo exagerado de petróleo e gás está associado a uma das maiores tragédias, ainda não resolvida, que castiga a humanidade: a mudança climática.

Quando nossa Revolução surgiu, Argélia, Líbia e Egito não eram produtores de petróleo e grande parte das enormes reservas da Arábia Saudita, Iraque, Irã e Emirados Árabes Unidos ainda não tinha sido descobertas.

Em dezembro de 1951, a Líbia converteu-se no primeiro país africano a alcançar sua independência depois da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, seu território foi cenário de importantes combates entre as tropas alemãs e do Reino Unido, que deram fama aos generais Erwin Rommel e Bernard L. Montgomery.

95% do território líbio é totalmente desértico. A tecnologia permitiu descobrir importantes reservas de petróleo leve de excelente qualidade que hoje alcançam 1,8 milhões de barris por dia e abundantes depósitos de gás natural. Tal riqueza permitiu alcançar um expectativa de vida de quase 75 anos e a mais alta renda per capita da África. Seu rigoroso deserto está assentado sobre um enorme lago de água fóssil, equivalente a mais de três vezes a superfície de Cuba, com o qual foi possível construir uma ampla rede de condutores de água doce que se estende por todo o país.

A Líbia, que tinha 1 milhão de habitantes quando de sua independência, conta hoje com pouco mais de 6 milhões. A Revolução Líbia teve lugar no mês de setembro do ano de 1969. Seu principal dirigente foi Muammar al-Kadafi, militar de origem beduína, que em sua juventude se inspirou nas idéias do líder egípcio Gamal Abdel Nasser. Sem dúvida, muitas de suas decisões estão associadas com as mudanças que se produziram quando, assim como no Egito, uma débil e corrupta monarquia foi derrubada do poder na Líbia.

Os habitantes da Líbia tem tradições guerreiras milenares. Diz-se que os antigos líbios formaram parte do exército de Aníbal quando este esteve a ponto de liquidar Roma Antiga com suas tropas que cruzaram os Alpes.

Pode-se estar ou não de acordo com Kadafi. O mundo tem sido invadido, pelos meios massivos de informação, com todo tipo de notícia. Deve-se esperar o tempo necessário para conhecer com rigor o que é verdade e o que é mentira nos atos de todos os tipos que, em meio ao caos, estão sendo realizados na Líbia. O que para mim é absolutamente evidente é que o Governo dos Estados Unidos não se preocupa em absoluto com a paz na Líbia e não vacilará em dar à OTAN a ordem de invadir esse rico país, talvez em questão de horas ou em muito poucos dias.

Os que com pérfidas intenções inventaram a mentira de que Kadafi se dirigia para a Venezuela, como fizeram na tarde de domingo, 20 de fevereiro, receberam hoje a digna resposta do Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, quando expressou textualmente que fazia "votos para que o povo líbio encontre, no exercício de sua soberania, uma solução pacífica para suas dificuldades e que preserve a integridade de seu povo e da nação líbia, sem a ingerência do imperialismo".

De minha parte, não imagino o dirigente líbio abandonando o país ou fugindo das responsabilidades que lhe imputam, sejam ou não falsas em parte ou em sua totalidade.

Uma pessoa honesta estará sempre contra qualquer injustiça que se cometa contra qualquer povo do mundo, e a pior delas, neste instante, é ficar em silêncio ante ao crime que a OTAN se prepara para cometer contra o povo líbio.

O comando desta organização belicista está pronto para cometê-lo.

Deve ser denunciado!

Fidel Castro
21/02/2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Líbia pode ser diferente

Os levantes populares que tomam conta do mundo árabe são a justa revolta da população contra as péssimas condições de vida impostas por governos submissos aos interesses dos Estados Unidos.

Esse era o caso dos governos da Tunísia, do Egito e ainda o é do governo do Barein, Arábia Saudita, Jordânia e outros.

Entretanto, a Líbia pode ser diferente.

O governo líbio, dirigido por Muammar al-Kadafi, é historicamente um adversário do imperialismo estadunidense na região.

Em 1969, Kadafi liderou uma revolução popular que derrubou a monarquia do Rei Ídris I, que governava em nome das petroleiras multinacionais.

No poder, Khaddafi expulsou as bases militares dos EUA e da Inglaterra, nacionalizou a indústria do petróleo e apoiou movimentos revolucionários em várias partes do mundo.

Junto ao egípcio Gamal Abdel Nasser, Kadafi foi um dos símbolos da luta contra o colonialismo no Oriente Médio e Norte da África.

Nos últimos anos, porém, o governo líbio tem adotado várias medidas para aumentar suas relações com os Estados Unidos e a Europa.

Apesar disso, ao contrário dos outros governos da região, a queda de Kadafi seria comemorada em Washington.

Chama a atenção também o fato de que os números sobre os conflitos na Líbia tenham como principal fonte a ONG Human Right Watch (HRW).

A HRW é conhecida no mundo por se utilizar de sua fachada de defesa dos direitos humanos para desestabilizar governos progressistas.

Em 2007, HRW foi expulsa da Venezuela por apoiar a oposição golpista.

Essa não seria a primeira vez que o imperialismo, visando seus próprios interesses, manobra os sentimentos de frações da população.

Já vimos isso na Venezuela, no Irã e na Bolívia.

Por outro lado, essa não seria também, infelizmente, a primeira vez que um governo revolucionário degenera-se em uma ditadura.

Portanto, vale o aviso: atenção com as notícias sobre a Líbia.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Multinacionais remetem US$ 30 bilhões para o exterior

Em matéria publicada na CartaCapital de 16/02, os professores Fernando Sarti e Célio Hiratuka fazem importante alerta sobre a condução da política econômica brasileira.

De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, apenas em 2010, as empresas multinacionais no Brasil remeteram para suas matrizes no exterior nada menos que US$ 30 bilhões.

E as remessas bilionárias de 2010 não foram uma exceção. Em 2009 as multinacionais remeteram US$ 25 bilhões e em 2008, no auge da crise, atingiram o recorde de US$ 33 bilhões.

Ou seja, as empresas multinacionais retiram dinheiro do país para compensar os prejuízos que tiveram nas outras regiões do planeta, em particular, nos países centrais.

Esses números são importantes por duas razões principais.

A primeira é que revela a falácia da defesa da liberalização dos fluxos de capitais internacionais com base no Investimento Direto Externo (IDE).

IDE é a modalidade de fluxo de capital em que o capital entrante é investido na construção de novas indústrias ou na compra das já existentes. Supostamente, esse seria um "capital bom" pois estaria gerando riqueza no país.

Ora, como os números acima demonstram, o dinheiro que entra via IDE é, depois de valorizado, enviado de volta através da remessa de lucros. Além disso, a parte do IDE que é utilizada na compra das empresas já existentes não cria, a princípio, nenhuma riqueza nova, representando apenas a transferência de controle da empresa. Esse é o caso, por exemplo, do IDE que entrou no país para comprar as empresas privatizadas.

A segunda questão levantada pelos números do BC é sobre as condicionalidades que o governo deve exigir das empresas que conseguem benefícios fiscais e financiamentos subsidiados.

Como revela a matéria de CartaCapital, a indústria automobilística, a campeã em isenções fiscais por parte do governo brasileiro, foi também a que mais remeteu lucros para suas combalidas matrizes no exterior.

Um governo que retira impostos e concede empréstimos subsidiados deve, no mínimo, estabelecer metas e diretrizes para as empresas beneficiadas como, por exemplo, garantir bons salários e estabilidade para seus trabalhadores.

A pior das hipóteses é manter-se apegado aos preconceitos neoliberais de eficiência dos mercados. Uma miopia que custou, apenas nos últimos três anos, quase US$ 100 bilhões.

PS: já comentei (aqui) que o governo está prestes a cometer erro semelhante na questão da transferência de tecnologia na compra dos novos caças da FAB.



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Questão de valores


O que você faria se seu filho pequeno passasse a cobrar para que seus coleguinhas de escola "peguem carona" no guarda-chuva dele em dias de chuva?

Aproveitaria a oportunidade para ensiná-lo os valores da amizade e da solidariedade?

Pois bem, a família Eike Batista pensa diferente.

Cobrar pela carona no guarda-chuva foi o primeiro "empreendimento" de Thor Batista, filho de Eike Batista, na época com apenas 9 anos. Graças a esse "negócio", a mãe, Luma de Oliveira, percebeu que "empreender está no DNA dele".

Agora, Thor abriu oficialmente sua primeira empresa, uma luxuosa boate no Jockey Club do Rio de Janeiro.

Porém, apesar de seu DNA vencedor, Thor tem pouca "aptidão para matemática" e trancou a faculdade de economia.

O pai, em um arrombo de humildade, aconselhou-o de que "a melhor faculdade é acompanhá-lo em suas reuniões de negócios".

Chique no último!

Clique aqui para ler a incrível reportagem da Folha sobre a mais nova empresa do grupo EBX.

O Correia de Transmissão deseja sorte ao jovem Thor e sugere, abaixo, uma música para animar as festas na sua boate.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ah, que falta faz um partido comunista




Diante da insurreição popular, a imprensa burguesa não consegue mais esconder o caráter ditatorial dos governos pró-EUA no Oriente Médio.

A mesma imprensa que há apenas alguns meses retratava o Irã como o centro da opressão mundial, agora, de repente, descobre, depois de 30 anos (!), que Mubarak é um ditador!

Milhares, ou melhor, milhões de pessoas tomam as ruas do Cairo e das principais cidades do Egito (o mais populoso país do mundo árabe).

O até ontem tão temido aparato de repressão de Mubarak é literalmente atropelado pelo povo egípcio (vejam o extraordinário vídeo acima).

O exército, perplexo e impotente, está claramente sem condições e sem comando para debelar a insurreição.

Não consigo imaginar uma situação mais clara de vácuo de poder.

O "cavalo selado" está passando.

Infelizmente, insurreições populares como a que está acontecendo no Egito não podem, espontâneamente, efetivar as mudanças que as motivam.

São capazes de derrubar governos imperialistas. Mas não conseguem colocar em seu lugar um governo dos trabalhadores.

Para isso, é preciso que haja um partido comunista revolucionário, respeitado e integrado às massas populares que agora travam batalhas homéricas nas ruas egípcias.

Se no Egito houvesse tal partido, os enfrentamentos não aconteceriam quase que ao acaso e em resposta às provocações dos agentes pró-Mubarak.

Pelo contrário, seguiriam um plano elaborado e coordenado.

Derrotar as últimas trincheiras do moribundo governo de Mubarak, anunciar a instalação de um novo governo. Consolidá-lo junto ao povo desperto através da socialização dos meios de produção.

(Não posso deixar de recomendar a leitura do imprescindível livro "Dez dias que abalaram o mundo", de John Reed)

A luta no Egito já dura 12 dias e exige esforços e sacrifícios gigantescos ao seu povo. Não há como dizer quanto tempo poderá ser mantida.

Mas é fato que há um limite.

E aí o cavalo selado terá passado e a oportunidade histórica perdida.

Tudo agora é uma questão de tempo.

Obama e os imperialistas sabem disso. É esse o real significado da "transição pacífica" pregada pelo governo dos EUA.

Esgotar o impulso revolucionário do povo egípcio. Confudí-lo, extenuá-lo. Trocar o governo de Mubarak por um outro igualmente aliado aos interesses norte-americanos.

Claro, esse novo governo (de ElBaradei, por exemplo) concederia liberdades democráticas e atenderia a algumas das demandas populares. Mas seria incapaz ou sequer teria interesse em realizar as profundas transformações pelas quais lutam os egípcios.

Nada, entretanto, está definido. Pois, se agora tudo é um questão de tempo, há dias que valem por anos.

Nos últimos 12 dias, a História do Egito passou mais rápido do que nos últimos 30 anos juntos!

Nada impede, portanto, que nesse exato momento esteja nascendo uma organização política capaz de desempenhar as funções de um partido comunista revolucionário.

Por isso, não perco a esperança de que o país que é mundialmente conhecido pelo poder de seus Faraós seja, em breve, admirado pelo poder de seu povo livre e soberano.