segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

De onde vem o tráfico?


Desde a eleição presidencial de 2006, o PSDB tem atribuído a culpa pelo tráfico de armas e drogas no Brasil a um suposto descontrole nas fronteiras terrestres do país.

O objetivo, é claro, é jogar a maior parte da responsabilidade pela criminalidade no colo do governo federal.

Em 2010, José Serra se superou. Chegou ao cúmulo de dizer que o presidente da Bolívia, Evo Morales, é cúmplice do tráfico (aqui).

Entretanto, acaba de sair uma pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça e pela ONG Viva Rio entitulada "Mapa do Tráfico Ilícito de Armas no Brasil" (aqui).

E o que diz esse estudo? O coordenador da pesquisa, Antônio Rangel Bandeira, é categórico:

"O número de armas que entra pelas fronteiras secas é irrisório se comparado com o número de armas fabricadas no país, compradas legalmente, que vão para a ilegalidade."

Ainda segundo Bandeira, é preciso aumentar o controle sobre a produção nacional já que apenas 20% das armas apreendidas são de fabricação estrangeira.

E onde está a indústria bélica nacional?

As cinco maiores empresas: Taurus, CBC, Rossi, Imbel, Urko e Amantino estão localizadas em apenas três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais (aqui).

Coincidentemente, os três são governados pelo próprio PSDB. (A partir de 2011, o RS passa a ser governado pelo PT)

Fantástico! A política do PSDB cria tensões diplomáticas com nossos vizinhos enquanto o grosso do tráfico de armas passa por baixo de seu bico.

Mas, para não dizer que não falei das flores, o governo federal tem sim muito o que fazer.

Se 80% das armas ilegais apreendidas são de fabricação nacional, isso significa que uma correta atuação da Polícia Federal, da Receita e dos demais órgãos de fiscalização e controle podem efetivamente reduzir o número de armas ilegais em circulação.

E isso sem precisar invadir país algum...



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