quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Empresas aéreas são as responsáveis pela greve


A Classe Média está em festa.

A Justiça(?) mandou acabar a greve dos aeroviários! (aqui)

A decisão foi tomada para "garantir o direito de ir e vir dos cidadãos".

E os direitos dos aeroviários? Quem garante?

As reivindicações desses trabalhadores eram justas e bem razoáveis. Queriam um aumento real de seus salários de 7% e respeito à jornada de trabalho de 08 horas.

As empresas aéras, pelo contrário, foram irredutíveis. Propuseram anedóticos 0,42% de aumento real.

Veja aqui a íntegra da pauta de reivindicações dos aeroviários e aqui o site do sindicato da categoria.

Você, amigo leitor, o que prefere?

Voar com uma tripulação mal paga e sem descanso ou com uma tripulação satisfeita e bem remunerada?

Você sabe quanto ganha o piloto que é responsável por centenas de vidas todos os dias?

Sabe há quantas horas está trabalhando sem parar o mecânico que fez a revisão das peças cruciais do avião?

No ano passado, as duas maiores empresas brasileiras, TAM e Gol, tiveram o maior lucro entre todas as empresas aéreas com ações negociadas na bolsa de Nova Iorque (aqui).

A Tam foi a campeã com U$ 771 milhões de lucro líquido. A Gol, em segundo, lucrou US$ 493 milhões.

Em 2010, a situação é quase a mesma. Com dados até o terceiro trimestre do ano, a TAM mantêm-se em primeiro com lucro de U$ 436,8 milhões. Já a Gol continua entre as dez mais lucrativas, caindo de terceiro para oitavo lugar com lucro líquido de U$ 64,9 milhões (aqui).

Para acabar com a greve, a Justiça deveria, ao invés de mandar que os aeroviários forçadamente voltem ao trabalho, determinar que as empresas aérias aceitem as justas reivindicações dos trabalhadores.

A decisão da Justiça não garante o "direito de ir e vir". Garante o lucro das empresas aéreas.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

De onde vem o tráfico?


Desde a eleição presidencial de 2006, o PSDB tem atribuído a culpa pelo tráfico de armas e drogas no Brasil a um suposto descontrole nas fronteiras terrestres do país.

O objetivo, é claro, é jogar a maior parte da responsabilidade pela criminalidade no colo do governo federal.

Em 2010, José Serra se superou. Chegou ao cúmulo de dizer que o presidente da Bolívia, Evo Morales, é cúmplice do tráfico (aqui).

Entretanto, acaba de sair uma pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça e pela ONG Viva Rio entitulada "Mapa do Tráfico Ilícito de Armas no Brasil" (aqui).

E o que diz esse estudo? O coordenador da pesquisa, Antônio Rangel Bandeira, é categórico:

"O número de armas que entra pelas fronteiras secas é irrisório se comparado com o número de armas fabricadas no país, compradas legalmente, que vão para a ilegalidade."

Ainda segundo Bandeira, é preciso aumentar o controle sobre a produção nacional já que apenas 20% das armas apreendidas são de fabricação estrangeira.

E onde está a indústria bélica nacional?

As cinco maiores empresas: Taurus, CBC, Rossi, Imbel, Urko e Amantino estão localizadas em apenas três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais (aqui).

Coincidentemente, os três são governados pelo próprio PSDB. (A partir de 2011, o RS passa a ser governado pelo PT)

Fantástico! A política do PSDB cria tensões diplomáticas com nossos vizinhos enquanto o grosso do tráfico de armas passa por baixo de seu bico.

Mas, para não dizer que não falei das flores, o governo federal tem sim muito o que fazer.

Se 80% das armas ilegais apreendidas são de fabricação nacional, isso significa que uma correta atuação da Polícia Federal, da Receita e dos demais órgãos de fiscalização e controle podem efetivamente reduzir o número de armas ilegais em circulação.

E isso sem precisar invadir país algum...