sábado, 24 de julho de 2010

Sabatinas: quem é o professor?


Com início oficial das campanhas eleitorais os jornais e as emissoras de TV começam a fazer suas "sabatinas".

Eu, se fosse candidato, ficaria muito incomodado com esse termo.

Posso estar errado, mas na minha terra, sabatina são perguntas que o professor faz para saber se o aluno aprendeu direito a lição. Geralmente, sabatinas são feitas com os piores alunos.

A palavra sabatina traz explícita a ideia de que um lado, o professor, conhece as respostas corretas e o outro, o aluno, tem que se esforçar para acertá-las.

No caso das eleições, a imprensa tenta ocupar o lugar de "professor" e impõe aos candidatos o papel de "aluno a ser avaliado".

Fica a idéia de que o avaliador é a própria imprensa que, como realizadora das sabatinas, pode dizer qual candidato está certo e qual está errado.

Alguns dirão que a imprensa faz sabatinas em nome da população.

Mas isso é falso. Só pode falar em nome do povo aqueles que foram eleitos para tal.

No que me conste, esse não é nem de perto o caso da imprensa brasileira. Pelo contrário, quatro famílias, os Civita (Abril/Veja), os Marinho (Globo), os Frias (Folha de São Paulo) e os Mesquita (Estadão), controlam direta e indiretamente quase tudo que é publicado no país.

A imprensa não tem direito (e no caso do Brasil não tem moral) para fazer "sabatinas".

Podem e devem (com TODOS os candidatos) fazer entrevistas.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

As FARC e a luta pela liberdade na Colômbia


Imagine que no Brasil, no início dos anos 1980, os ex-presos e exilados políticos começassem a ser assassinados.

Imagine que Brizola, Arraes e Prestes, logo após regressarem do exílio, fossem mortos.

Também os fundadores do PT, Lula, Frei Betto, tivessem o mesmo destino. Junto com eles os principais filiados do MDB.

Que os militantes dos partidos comunistas PCR, MR8, PCB, PCdoB, PCBR conseguissem a liberdade de opinião apenas no papel mas que na prática continuassem sendo caçados por esquadrões de extermínio.

Se esse horrível cenário houvesse existido, o que teria acontecido com o Brasil?

Impossível responder essa questão, mas podemos ter uma boa idéia olhando para o que acontece com a Colômbia hoje.

Porque na Colômbia foi exatamente isso que a direita fez. Em 1985, as FARC propuseram suspender a luta armada, disputar as eleições e criar um partido legalizado, o Partido da União Patriótica (UP). (aqui)

Em 1986, a UP elegeu 5 senadores, 14 deputados, 23 prefeitos e 351 vereadores. Além disso, o candidato a presidente, Jaime Pardo Leal, ficou em terceiro lugar com 4,6% dos votos, a maior votação de um candidato da esquerda revolucionária colombiana.

O que aconteceu depois?

Os militantes da UP começaram a ser perseguidos e assassinados pelo exército e por grupos paramilitares de direita. Dos eleitos, foram mortos 70 vereadores, 11 prefeitos e 13 deputados. Pardo Leal também foi morto.

Ao todo, entre 3 e 6 mil militantes e simpatizantes da UP foram assassinados. Outros milhares tiveram que partir para o exílio.

Em 1988, na cidade de Segóvia, 40 militantes da UP foram executados em praça pública por paramilitares com a conivência da polícia.

Em 1994, a UP perdeu seu último membro no parlamento quando o senador Manuel Cepeda Vargas foi assassinado.

Portanto, na Colômbia não há democracia.

O país vive em uma ditadura chefiada pela narcoburocracia que tomou conta do Estado. São inúmeras as ligações entre o governo e o tráfico. Inclusive com o próprio Álvaro Uribe (aqui).

O PIG e os países capitalistas fazem vistas grossas a esses crimes porque o governo colombiano é totalmente submisso aos interesses dos Estados Unidos, aceitando até a instalação de 7 bases norte-americanas em seu território.

As FARC e os demais comunistas colombianos são obrigados a recorrer às armas pois, diante da repressão política, essa é a única maneira de defender os interesses do povo.

O prolongamento da guerra civil na Colômbia é do interesse dos EUA e da narcoburocracia porque assim podem mascarar seu verdadeiro objetivo de rebaixar o país a uma mera colônia norte-americana.

Em 2008, o comandante Raul Reyes, assassinado numa operação ilegal em território equatoriano, declarou:

"Na Colômbia, como em outros países do continente, não deveria ser necessária a luta armada se houvesse outras condições. Mas por aqui já assassinaram e continuam assassinando a oposição revolucionária." (aqui)

Para que haja paz na Colômbia é preciso que se reconheça a guerrilha como força beligerante nos termos da Convenção de Genebra (aqui), garanta a liberdade de opinião e de atuação política para todos os cidadãos e puna os assassinos e torturadores dos militantes da UP e das demais organizações populares.

Classificar as FARC como terroristas é fazer o jogo do imperialismo e impedir a paz na Colômbia. Não é à toa, portanto, que o candidato da direita, José Serra, faz questão de acusar as FARC como antes já havia acusado Evo Morales.

O PIG já percebeu isso e tenta transformar a ignorância de Índio da Costa em "mais um problema" para a campanha de Dilma.

Entretanto, o tiro pode sair pela culatra. Ao chamar atenção à situação do país vizinho, os reacionários podem ter criado, sem querer, o espaço propício para que seja desmascarada a farsa que é a atual "democracia" colombiana.

terça-feira, 20 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"No Brasil, a classe operária tem cor". Florestan Fernandes


Acabo de assistir, na TV Senado, a entrevista do Ministro Eloi Ferreira de Araujo. Ele comentava a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

Sobre essa questão, há o argumento de que medidas tais como o estatuto e as cotas raciais nas universidades são equivocadas pois a verdadeira divisão da sociedade é entre trabalhadores e capitalistas e não entre brancos e negros.

Sim, é verdade que a divisão fundamental do mundo moderno é entre trabalhadores e capitalistas. Mas essa afirmação, que é absolutamente correta no plano da teoria geral, corre o risco de transformar-se em um dogma se não forem feitas as mediações necessárias entre esse plano mais geral e a luta específica de cada país.

Qualquer pesquisa social mostra que os negros no Brasil recebem menores salários, têm menor expectativa de vida e menos anos de escolaridade.

A que se deve isso?

É inegável que essa situação é um resultado direto dos séculos de escravidão. A Lei Áurea não garantiu nenhum direito nem indenização econômica e moral pela escravidão. Na prática, os filhos dos negros continuaram tão dependentes aos capitalistas quanto antes.

As políticas raciais afirmativas são, portanto, uma questão de justiça histórica para o Brasil. Só a sua discussão já é uma espécie de "abertura dos arquivos da escravidão" que tal como os arquivos da ditadura são mantidos em segredo pelos reacionários.

Sua aprovação é um passo decisivo para a constituição de uma nação brasileira reconciliada com sua origem e capaz de encarar de frente seus outros problemas sociais.

Mais que isso, as políticas raciais afirmativas expõem as raízes e a maneira pela qual os privilégios dos capitalistas brasileiros foram formados e consolidados. Uma história que a elite prefere esconder.

As políticas raciais afirmativas enfrentam os mais arraigados preconceitos e as falsas construções teóricas e históricas do capitalismo brasileiro. Enfrentam, enfim, a ideologia burguesa que é um dos principais obstáculos para nosso desenvolvimento social.

Aliás, é exatamente porque a sociedade se divide entre capitalistas e trabalhadores que os trabalhadores "de todas as cores" devem apoiar a luta de seus irmãos negros por essa reparação histórica.

As políticas raciais afirmativas não dividem as forças que lutam pelo socialismo. Pelo contrário, as fortalecem.

PS: Em 2000/2001, eu defendia junto a outros companheiros que fôssemos contra as cotas nas universidades. Eu estava errado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Paraiba vota Lira - 50200

Se você vota na Paraiba, o Correia de Transmissão tem um recado importe para você:

Não vote nesses velhacos da política que não têm nenhum compromisso com a juventude e os trabalhadores.

Vocês têm uma opção muito melhor.

Indico, com satisfação, o voto no meu camarada Emerson Lira para deputado estadual.

Lira é militante do Partido Comunista Revolucionário. Tem intensa atuação no movimento estudantil e, mais recentemente, no movimento sindical da Paraiba.

Se você quer um candidato que lute pelo poder popular e pelo socialismo, eu lhe garanto, seu voto é para o camarada Lira.

O Correia de Transmissão mata a cobra e mostra o pau. Acesse o blog do camarada Lira e confira porque ele realmente merece seu voto.

O número de Lira é 50200.

O socialismo avança!

PS: Em breve, mais notícias sobre a eleição deste ano.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

E agora, Meirelles?

No início do mês de junho, o Banco Central aumentou a taxa de juros do Brasil dizendo que era para conter o aumento da inflação.

Publiquei, aqui, que esse argumento era falso, pois a inflação está dentro da meta estabelecida e em queda desde fevereiro. Além disso, o investimento estava crescendo acima do crescimento do PIB.

Agora, o IBGE captou uma inflação de 0% em junho (aqui).

Isso mesmo. Zero porcento.

Se os argumentos do BC já eram falaciosos, agora, são motivo de piada.

O aumento da taxa de juros beneficia em primeiro lugar aqueles que especulam com os títulos da dívida pública.

A situação é tão constrangedora que o portal da Globo, ao invés de dizer que o índice foi de 0%, preferiu dizer enigmaticamente que "o índice não variou" (aqui).

Tucanaram o zero!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Dunga enfrentou a Globo. Essa é a grande vitória



O Brasil perdeu a Copa. Um resultado, sinceramente, normal.

Mas teve algo de "anormal" nessa Copa.

O técnico da seleção enfrentou a Globo.

Esse ano não tivemos "big brother" de dentro do ônibus do time.

Os jogadores não deram entrevistas exclusivas para o Fantástico, o Jornal Nacional nem para Ana Maria Braga (aqui e aqui).

Nesse ano, o técnico da seleção não perdeu o início de nenhuma partida por estar dando entrevista para o PIG.

Enfim, a Globo não conseguiu faturar nem alavancar sua audiência com essa Copa como conseguiu com as anteriores (aqui).

O Dunga enquadrou a Globo.

Não sei o que ele pensa sobre outros assuntos. Mas, nesse caso, ele está coberto de razão.

Com a eliminação, começa agora a caça às bruxas à procura de um culpado.

Cada um terá seu candidato a cristo.

Eu, que também sou brasileiro, tenho o meu:

Para mim, A CULPA É DA GLOBO!