sexta-feira, 28 de maio de 2010

Universo Paralelo


Hillary Clinton diz que acordo com o Irã, mediado pelo Brasil e pela Turquia, deixa o mundo mais perigoso (aqui).

Uau! Como? Por quê? Em que planeta?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil


Depois de falar sobre os direitos humanos em Cuba e na Venezuela (mas não no Iraque e no Afeganistão) e de ficar cético em relação ao programa nuclear do Irã (não em relação ao de Israel), o candidato da direita, José Serra, disse agora que a Bolívia faz "corpo mole" no combate ao tráfico de drogas (aqui).

Por que ele não diz que os EUA fazem corpo mole no combate à lavagem de dinheiro que financia esse tráfico?

Do jeito que a coisa anda, não vai demorar para o tucano dizer que o Brasil está pronto para ajudar na "luta contra o terror".

Não deixe de conferir, aqui, o restante do programa do candidato do PSDB/PFL.

Obviamente esse discurso reacionário renderá muito poucos votos para Serra, no Brasil, além dos que ele já tem. Mas vai deixar os "falcões" morrendo de amores pelos tucanos.

Qual o objetivo desse alinhamento automático com os EUA? Falta de preparo? Conseguir mais dinheiro para a campanha? Agradar o PIG? Ou coisa pior?

terça-feira, 25 de maio de 2010

O candidato da direita


Desde que oficializou sua candidatura, José Serra tem dito que é "de esquerda". Chegou até mesmo a discutir com a porta-voz do neoliberalismo econômico, Míriam Leitão.

Entretanto, a máscara do Serra não tarda a cair. Ultimamente, quando perguntado sobre suas propostas para a política externa brasileira, o candidato tucano diz que vai "defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos" (aqui). Na aparência, essa frase é perfeita. Mas, e na essência?

Quando Serra diz que vai defender os direitos humanos, na verdade, ele está dizendo que vai defender a política externa imperialista dos Estados Unidos.

Não nos percamos pelas palavras. Sempre que fala em direitos humanos, Serra critica o Irã, Venezuela e Cuba. E por que ele não critica as ocupações do Iraque e do Afeganistão? Por que não critica o apartheid de Israel contra os palestinos? Ou será que o tucano acha que os direitos humanos são respeitados pelas tropas invasoras dos EUA? Ou que direitos humanos são apenas para os aliados da Casa Branca?

Criticar os direitos humanos em Cuba e na Venezuela é uma prova cabal de servilismo. Ao contrário do que diz o candidato do PSDB/PFL, esses dois países são exemplos de luta pela garantia dos direitos humanos para seus cidadãos.

No caso do Irã, é inegável a sanha belicista dos Estados Unidos e de Israel para atacar o país persa. Os esforços de Lula por um acordo que impeça esse ataque, no que pese todas a críticas que podem e devem ser feitas a seu governo, é digno de aplauso e respeito.

Aliás, não é a toa que Serra declara-se "cético" quanto a esse acordo (aqui).

Os paulistas sabem bem o apreço de Serra pelos direitos humanos. Quando era governador de São Paulo, truculência era seu slogan. Para dar apenas um exemplo, vejam como ele conseguiu transformar greves de servidores públicos em batalhas campais.

Serra não fala para o povo. O endereço de sua mensagem é outro. Seu discurso que hipocritamente cita os direitos humanos é na verdade música nos ouvidos dos imperialistas e de seus lacaios brasileiros.

Serra diz que é "de esquerda" por puro oportunismo político. Diz isso porque sabe que a direita está desgastada moralmente no Brasil e no mundo.

Não existe "serrinha paz e amor". Serra é o candidato da direita.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Nosso foco é o Pré-Sal"


Comprei, desavisadamente, o jornal Brasil Econômico do sábado dia 15 de maio.

Nele, há uma entrevista do cônsul-geral do Reino Unido no Brasil, John Doddrell. O cônsul, sem nenhum pudor, fala que o foco da Inglaterra no Brasil é o Pré-Sal.

Ele chega ao cúmulo de dizer quer discutir com o Brasil as formas de proteção do Pré-Sal.

Ora, é claro que nós devemos proteger nossas riquezas naturais. A pergunta é: protegê-las contra quem?

A História mostra bem o que acontece com um país cujas riquezas são "focadas" pelos ingleses.

Aliás, em se tratando de roubo de petróleo e riquezas naturais, a Inglaterra é professora. O que dizer das Ilhas Malvinas, um território argentino invadido pelos ingleses? (leia aqui o excelente artigo do Dep. Brizola Neto sobre a importância da questão das Malvinas para o Brasil)

A cinismo do cônsul só não é maior do que o do próprio jornal que aceita calado essas declarações.

Como se não bastasse, na mesma edição há uma matéria sobre como a indústria de bens de luxo tem "educado" a população e uma defesa do alinhamento automático do Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

Comprei esse jornal uma vez. Não comprarei a segunda.

domingo, 9 de maio de 2010

Jarbas candidato: a direita pernambucana em crise


O Senador Jarbas Vasconcelos, anunciou, no dia 06/05, que será candidato ao governo do estado nas próximas eleições.

Jarbas foi governador de Pernambuco por oito anos, de 1998 a 2006. Sua gestão foi a execução do programa neoliberal a nível estadual. Chegou ao cúmulo de usar a Casa Militar do Governo do Estado para perseguir e espionar os movimentos sociais (aqui).

No Senado, sua obra de maior relevância foi defender os latifundiários que exploram trabalho escravo (aqui) e dar aquela esquecível e patética entrevista à Veja (aqui).

A direita pernambucana tenta mostrar que a candidatura de Jarbas significa seu fortalecimento.

Mas isso não é verdade.

Jarbas não queria ser candidato. Ele sabe a dificuldade de enfrentar a máquina estadual quando um governador tenta a reeleição. Ele mesmo usou desse artifício como ninguém.

Mas Jarbas não tem escolha. Ou é candidato ou verá a direita do estado definhar.

Dois senadores da direita tentam reeleição este ano. Um deles, Sérgio Guerra (PSDB), já praticamente desistiu. O outro, Marco Maciel (PFL), está em situação difícil.

A não reeleição de Marco Maciel, interventor de Pernambuco durante a ditadura, seria uma derrota histórica para a direita do estado.

Como se não bastasse, a menino prodígio dos reacionários, Mendocinha (PFL), não tem mais condições de se candidatar. Ele, que foi vice-governador de Jarbas, sofreu duas acachapantes derrotas eleitorais nas eleições para o governo e para a prefeitura do Recife.

Por fim, a candidatura de Jarbas serve para motar um palanque para José Serra (PSDB) em Pernambuco que, caso contrário, não teria nem onde pisar.

A direita de Pernambuco está em crise. A candidatura de Jarbas é a prova disso.


quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Dilma SEMPRE erra


Reproduzo abaixo o artigo do jornalista Carlos Lindenberg, sobre a pré-campanha presidencial, publicado no Jornal Hoje, de Belo Horizonte. Vi esse artigo no Blog do Nassif (aqui).

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Há alguma coisa estranha nesta fase da pré-campanha eleitoral. A candidata do PT, Dilma Rousseff, fala uma coisa, e o que vai ao ar é outra. E o que ela não falou vira verdade. Já com o candidato José Serra, do PSDB, acontece o contrário. Ele comete uma gafe, e o que prevalece é a versão maquiada dessa gafe, quando todos correm a acudi-lo. Faz algum tempo, Dilma veio a Belo Horizonte e disse aqui que não via nada de estranho se alguém votasse nela e no governador Antonio Anastasia, até porque ninguém tem o controle do voto do eleitor. Ficou a versão de que Dilma defendeu, em Belo Horizonte, o voto ‘Dilmasia’, uma heresia para os seus críticos. Mas Dilma não defendeu o voto ‘Dilmasia’, brincou com ele e até disse que, talvez, ficasse melhor o ‘Anastadilma’. Uma brincadeira que foi transformada em verdade – e olha que, ao lado dela, estavam dois pretendentes do PT ao Palácio da Liberdade, que, se fosse verdade, seriam os primeiros a reagir.

Pois bem. Neste final de semana passado, o ex-governador José Serra estava em Santa Catarina, numa festa religiosa, e, ao falar sobre o tabagismo, talvez estimulado pelo ambiente, disse que o “fumante é um homem sem Deus”. Ah, pra quê! Antes mesmo que a bobagem dita pelo presidenciável caísse no conhecimento geral, correram todos – os mesmos que crucificaram Dilma – a explicar que não foi bem assim, que o ex-governador foi mal- interpretado e até providenciaram para os arautos mais fiéis uma degravação do que Serra teria dito. Duas bobagens, a rigor, tanto a de Serra como a Dilma, se verdadeiras. Mas aí o que não foi dito ficou como dito, e o que teria sido dito passou como não dito.

Mas tem alguma coisa estranha nisso. No dia 1º de Maio, o presidente Lula compareceu à festa das centrais sindicais, em São Paulo, e lá fez discurso para dizer que o seu sucessor deverá fazer melhor do que ele. A ex-ministra Dilma Rousseff estava do seu lado. Lula não falou o nome dela. Mas foi o bastante para, no mesmo dia, anunciarem que a oposição iria entrar na Justiça contra o presidente Lula por propaganda fora de hora. De fato, a oposição entrou na Justiça, e não só pela suposta propaganda fora de hora, mas alegando também que os sindicatos fizeram uma festa com dinheiro público e que a festa se transformou em palanque eleitoral. Ocorre que, na tal festa religiosa em Santa Catarina, em Camboriú, mais precisamente, o poder público teria também financiado o encontro, porque prefeituras administradas pelo PSDB repassaram dinheiro para a festa que teve o candidato tucano como estrela principal. E ninguém havia piado até o início da noite de ontem, 48 horas depois do encontro, sobre a suposta ilegalidade do candidato tucano.

Mas por aí se vê que está havendo, na pré-corrida presidencial, “dois pesos e duas medidas” para os mesmos fatos. Tudo o que a candidata do PT fala ou faz é alvo de críticas por vezes exacerbadas.

Quanto ao seu oponente, até parece que ele nem existe como tal, dada a lhaneza de tratamento que lhe dispensam os que cobrem a pré-campanha eleitoral. Agora mesmo, já começa a cristalizar na grande mídia a ideia de que tudo o que a candidata Dilma Rousseff faz ou fala é errado. Por esse ângulo, Dilma já deveria desistir da candidatura enquanto é tempo. Até sua visita ao túmulo de Tancredo, que ninguém da família reclamou, até porque o túmulo está disposto à visitação pública, virou pecado mortal. Já falam de suas roupas, da inconveniência das cores que usa, dos modelos inadequados que veste e por aí afora.

Já seu oponente, tão sério quanto ela, tão merecedor de respeito quanto, não teria cometido nenhum erro até agora. Serra, até então visto como um político de pouca habilidade, mudou. Pelo menos na visão dos que costumam escrever sobre ele, Serra agora é um virtuoso. Não erra nunca. Não fala nada extravagante. Pois, sim. Os de boa memória lembram que, no ano passado, foi Serra quem falou, como governador de São Paulo e com a autoridade de ex-ministro da Saúde, que a gripe suína passou para os humanos porque as pessoas chegavam perto dos porquinhos, portadores da gripe, eles espirravam e… pronto, contaminavam os que chegavam perto deles. Inacreditável? Sim, mas eu vi na internet, num blog insuspeito em se tratando de Serra. De forma que ainda há tempo para se tratar Dilma e Serra de forma igual. Até porque são ambos muito parecidos politicamente, por formação.