sábado, 20 de março de 2010

Os Caças da FAB e a Transferência de Tecnologia


O governo brasileiro deve mesmo escolher o caça francês Rafaele para reequipar a Aeronáutica. (aqui)

Desde o início, essa já se apresentava como a melhor proposta por ser a única capaz de garantir a transferência de tecnologia.

A proposta norte-americana "A" (o F-18) e a proposta norte-americana "B" (o sueco, cujos principais componentes são produzidos por empresas dos EUA) só foram defendidas pelo PIG devido ao seu alinhamento automático aos interesses dos Estados Unidos.

Porém, a escolha dos caças franceses não encerra esse assunto. Devemos agora discutir como se dará essa transferência de tecnologia.

Segundo um comunicado da Dassault, empresa francesa que produz o Rafaele, "O programa de cooperação industrial da proposta francesa é bem fundamentado, com acordos assinados com 39 empresas para 68 projetos e parcerias com a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o ITA." (aqui)

Portanto, com excessão da UFRJ e do ITA, a tranferência de tecnologia da França para o Brasil se dará, na prática, através de empresas privadas. Talvez, dependendo do teor dessas acordos, possamos até dizer que a transferência de tecnologia será para essas empresas especificamente e não para o Brasil como um todo, apesar de que todos os brasileiros pagarão por ela.

Qual o compromisso social que as empresas beneficiadas terão com o país e com os trabalhadores?

Qual o poder de influência que o governo, que afinal foi quem pagou pela tecnologia, vai ter sobre o seu uso?

Certamente, pelo seu tamanho e importância, a Embraer será uma das favorecidas. Porém, devemos lembrar que essa mesma empresa demitiu 4.200 funcionários (20% de seu total) no auge da crise financeira de 2008/2009. Ou seja, a Embraer privilegiou seus interesses imediatos e privados em detrimento dos interesses dos trabalhadores e do país.

É justo que uma empresa que se beneficiará de um programa público bilionário de transferência de tecnologia tenha total autonômia para perseguir apenas seus interesses individuais?





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