quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Empresas aéreas são as responsáveis pela greve


A Classe Média está em festa.

A Justiça(?) mandou acabar a greve dos aeroviários! (aqui)

A decisão foi tomada para "garantir o direito de ir e vir dos cidadãos".

E os direitos dos aeroviários? Quem garante?

As reivindicações desses trabalhadores eram justas e bem razoáveis. Queriam um aumento real de seus salários de 7% e respeito à jornada de trabalho de 08 horas.

As empresas aéras, pelo contrário, foram irredutíveis. Propuseram anedóticos 0,42% de aumento real.

Veja aqui a íntegra da pauta de reivindicações dos aeroviários e aqui o site do sindicato da categoria.

Você, amigo leitor, o que prefere?

Voar com uma tripulação mal paga e sem descanso ou com uma tripulação satisfeita e bem remunerada?

Você sabe quanto ganha o piloto que é responsável por centenas de vidas todos os dias?

Sabe há quantas horas está trabalhando sem parar o mecânico que fez a revisão das peças cruciais do avião?

No ano passado, as duas maiores empresas brasileiras, TAM e Gol, tiveram o maior lucro entre todas as empresas aéreas com ações negociadas na bolsa de Nova Iorque (aqui).

A Tam foi a campeã com U$ 771 milhões de lucro líquido. A Gol, em segundo, lucrou US$ 493 milhões.

Em 2010, a situação é quase a mesma. Com dados até o terceiro trimestre do ano, a TAM mantêm-se em primeiro com lucro de U$ 436,8 milhões. Já a Gol continua entre as dez mais lucrativas, caindo de terceiro para oitavo lugar com lucro líquido de U$ 64,9 milhões (aqui).

Para acabar com a greve, a Justiça deveria, ao invés de mandar que os aeroviários forçadamente voltem ao trabalho, determinar que as empresas aérias aceitem as justas reivindicações dos trabalhadores.

A decisão da Justiça não garante o "direito de ir e vir". Garante o lucro das empresas aéreas.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

De onde vem o tráfico?


Desde a eleição presidencial de 2006, o PSDB tem atribuído a culpa pelo tráfico de armas e drogas no Brasil a um suposto descontrole nas fronteiras terrestres do país.

O objetivo, é claro, é jogar a maior parte da responsabilidade pela criminalidade no colo do governo federal.

Em 2010, José Serra se superou. Chegou ao cúmulo de dizer que o presidente da Bolívia, Evo Morales, é cúmplice do tráfico (aqui).

Entretanto, acaba de sair uma pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça e pela ONG Viva Rio entitulada "Mapa do Tráfico Ilícito de Armas no Brasil" (aqui).

E o que diz esse estudo? O coordenador da pesquisa, Antônio Rangel Bandeira, é categórico:

"O número de armas que entra pelas fronteiras secas é irrisório se comparado com o número de armas fabricadas no país, compradas legalmente, que vão para a ilegalidade."

Ainda segundo Bandeira, é preciso aumentar o controle sobre a produção nacional já que apenas 20% das armas apreendidas são de fabricação estrangeira.

E onde está a indústria bélica nacional?

As cinco maiores empresas: Taurus, CBC, Rossi, Imbel, Urko e Amantino estão localizadas em apenas três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais (aqui).

Coincidentemente, os três são governados pelo próprio PSDB. (A partir de 2011, o RS passa a ser governado pelo PT)

Fantástico! A política do PSDB cria tensões diplomáticas com nossos vizinhos enquanto o grosso do tráfico de armas passa por baixo de seu bico.

Mas, para não dizer que não falei das flores, o governo federal tem sim muito o que fazer.

Se 80% das armas ilegais apreendidas são de fabricação nacional, isso significa que uma correta atuação da Polícia Federal, da Receita e dos demais órgãos de fiscalização e controle podem efetivamente reduzir o número de armas ilegais em circulação.

E isso sem precisar invadir país algum...



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"O Petróleo é Deles"


A Dilma foi no ponto. Eles estão de olho no Pré-Sal.
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Do site CartaMaior, por Igor Fuser:

No embalo do segundo turno, os lobbies conservadores e anti-nacionais reunidos em torno da candidatura de José Serra à presidência já se atrevem a defender sem disfarces um retorno ao entreguismo que marcou a gestão do petróleo brasileiro nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Eles querem a abertura irrestrita das fabulosas reservas do pré-sal brasileiro, a maior descoberta petrolífera dos últimos trinta anos no mundo inteiro, à voracidade das empresas multinacionais. O assanhamento é tanto que, em entrevista ao jornal Valor, David Zylbersztajn, “assessor técnico” da campanha de Serra para a área de energia, distorceu completamente a realidade dos fatos com um grosseiro erro de informação ao defender que, num eventual governo demo-tucano, a exploração do pré-sal ocorra nos marcos do atual regime de concessões, em escandaloso benefício do capital transnacional.

O argumento apresentado por Zylbersztajn, ex-genro de FHC e presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) quando se realizou o primeiro leilão de reservas brasileiras entregues ao capital estrangeiro, em 1999, tem como foco uma questão contábil. De acordo com ele, o atual regime de concessões é melhor que o de partilha porque que o governo recebe antecipadamente o dinheiro referente ao bônus de assinatura, quantia cobrada às empresas em troca do direito de explorar as reservas. “No sistema de partilha, você só vai receber lá na frente”, alegou. “Depois de ter descontado o que gastou com o campo, vai receber sua parte em óleo, que vai ter que ser vendido. Isso só vai gerar alguma coisa lá na frente. Enquanto hoje, se licitar um campo, o governo coloca dinheiro no Tesouro hoje mesmo", disse.

Uma simples consulta ao Projeto de Lei 5.938, que cria o regime de partilha, é suficiente para revelar a falsidade do raciocínio apresentado por Zylbersztajn contra o regime de partilha. No seu capítulo II, parágrafo XII, o projeto do atual governo afirma textualmente que o bônus de assinatura é “um valor fixo devido à União pelo contratado, a ser pago no ato da celebração e nos termos do respeito do contrato de partilha da produção”. Essa norma é reiterada mais adiante, no capítulo V, parágrafo II, que trata dos editais de licitação. Como se pode conceber que um especialista ignore uma regra formulada em termos tão claros?

Curiosamente, o mesmo Zylbersztajn se mostra muito zeloso em esclarecer que suas declarações não representam o ponto de vista oficial da campanha de Serra. "A minha opinião é pelo lado técnico, mas dentro do contexto político, eu não sei”, ressalvou, para em seguida voltar à carga contra o regime de partilha: “Eu aconselharia a deixar o que está funcionando bem do jeito que está. Se houvesse justificativa para mudar, tudo bem", insistiu, deixando claro que não vê nenhum motivo para a troca do regime de concessões pelo de partilha, como propõe o governo Lula e sua candidata, Dilma Rousseff.

A linguagem escorregadia tem a ver com o cuidado de Serra em evitar uma postura de ataque frontal à mudança nas regras do pré-sal. Em vez de expor abertamente suas intenções, o candidato tucano prefere manifestar “dúvidas” sobre a utilidade do regime de partilha. Enquanto isso, o centro de estudos do PSDB, Instituto Teotônio Vilela, bombardeia sem sutilezas o projeto governista. Em entrevista ao jornal O Globo, em abril, o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), porta-voz oficioso dos tucanos para os assuntos petroleiros, chamou de “retrocesso histórico” a lei que retira o pré-sal do sistema de concessões e o transfere ao controle estatal por meio de uma nova empresa, a Petro-Sal. Nas suas palavras, trata-se de um “erro estratégico” comparável à fracassada Lei de Informática, de 1984.

Até o dia 3 de outubro, esse assunto era mantido em surdina pelos tucanos, quase como um tabu. Agora que o assessor de Serra saiu a campo em defesa da posição privatista, o candidato corre o risco de ser cobrado pelos seus adversários em uma questão crucial para o desenvolvimento do país e o bem-estar dos brasileiros. No caso de Zylbersztajn, a margem de opção é nula. Como presidente da empresa de consultoria DZ Negócios com Energia, voltada para a prestação de serviços a “investidores interessados no mercado brasileiro”, conforme o site da firma, ele tem mesmo é que defender os interesses dos seus clientes estrangeiros, nem sempre coincidentes com os interesses da sociedade brasileira. Entre os seus clientes está a AES Eletropaulo, companhia de eletricidade paulista privatizada em favor do capital estadunidense durante o governo tucano de Mário Covas.

Para que se compreenda o que está em jogo no pré-sal, recorde-se que, no regime de concessões, implantado por FHC, todo o petróleo retirado do subsolo se torna, automaticamente, propriedade da empresa concessionária, que pode fazer com ele o que quiser (salvo algumas restrições só aplicáveis em casos excepcionais). Atualmente, as empresas estrangeiras é que determinam o ritmo de exploração das reservas. Elas também escolhem, por sua própria conta, os fornecedores de equipamentos, em geral importados. Como retribuição ao governo, essas concessionárias se limitam a pagar uma porcentagem sobre o valor da produção (os royalties) e mais algumas taxas, o que totaliza, no máximo, 40% da renda obtida com o petróleo. Esse é um percentual altamente vantajoso, comparado com os 80% cobrados pelos maiores produtores mundiais.

Já no regime de partilha, tal como propõe o governo, a União mantém a propriedade do petróleo obtido, o que lhe dá o direito de ditar a política de exploração. O volume produzido e a duração das reservas podem ser administrados de acordo com objetivos de política econômica. E o Estado é quem estabelece as normas para os investimentos e a política de compras, a partir de metas voltadas para o desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais, criação de empregos e aperfeiçoamento tecnológico. O regime de partilha, adotado atualmente por cerca de 40 países, representa, historicamente, um avanço em relação ao sistema neocolonial das concessões, que vigorou na primeira metade do século XX, época em que a indústria do petróleo era dominada pelo famoso cartel das “Sete Irmãs”.

A participação nacional na riqueza do petróleo será sensivelmente maior no caso de aprovação das novas normas defendidas pelo governo Lula. De acordo com os projetos de lei em discussão no Congresso, a estatal Petro-Sal controlará a exploração dos blocos petrolíferos do pré-sal, garantindo à Petrobras uma participação mínima de 30% em cada área de produção. Mais importante: caberá à empresa brasileira a função de operadora de todas as áreas de extração, de modo a garantir que as decisões estejam afinadas com os objetivos do desenvolvimento nacional.

Os royalties aumentam para 15% e a participação estatal na renda petroleira – aí incluídos União, Estados e municípios, segundo regras que ainda estão em debate – ultrapassa, de longe, os 50%. O aumento dessa fatia se deve, em parte, à recente capitalização da Petrobras, quando a participação acionária da União pulou dos 32% a que foi reduzida nos tempos de FHC para os atuais 48%. Tudo isso, sem a necessidade de gastar um só centavo do dinheiro público, pois a União utilizou como moeda o petróleo que ainda repousa no fundo do mar.

Zylbersztajn encara essas proezas com azedume, e parece até torcer para que tudo dê errado. Na entrevista ao Valor, profetizou que a Petro-Sal será um antro de corrupção e reprovou a presença de uma estatal brasileira no comércio de petróleo – algo que a Petrobras já vem fazendo há muito tempo, com notável eficiência. Na realidade, a mudança que o governo Lula está propondo significa um avanço bem modesto, comparado com as propostas mais ousadas defendidas por um conjunto de entidades e movimentos sociais agrupados na campanha “O Petróleo Tem Que Ser Nosso”, como a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Um projeto de lei alternativo, assinado por 21 congressistas, do PT e do PCdoB, prevê que a Petrobras volte a ter 100% do seu capital nas mãos do Estado e que sejam anulados os contratos de exploração petroleira por companhias privadas feitos após a promulgação da Lei 9.478, de 1997.

O projeto do governo representa uma posição intermediária entre o marco regulatório neoliberal adotado por FHC e as posições mais nacionalistas defendidas pelos sindicatos e outros atores no campo popular. Para se ter uma idéia, nas áreas do pré-sal já leiloadas continuará em vigor o regime das concessões, em estrito cumprimento aos contratos já firmados. Dessa forma, se as coisas correrem conforme os planos traçados pela equipe de Lula, o petróleo brasileiro do pré-sal seguirá como um negócio muito atraente para os investidores estrangeiros. Que o digam os chineses, cada vez mais confiantes no Brasil como um parceiro indispensável perante as incertezas do abastecimento de energia no futuro.

Ainda assim, há quem se mostre insatisfeito. Inclusive brasileiros, como Zylbersztajn. Para esses – os executivos das multinacionais petroleiras e seu séquito de consultores, acadêmicos e jornalistas – a passagem de Serra ao segundo turno é um fator de alento. Quem sabe, imaginam, seja possível retomar o fio da história no ponto em que estava em janeiro de 2002, quando o banqueiro (recentemente falecido) Francisco Gros, em seu primeiro ato após a posse como presidente da Petrobras, anunciou aos investidores em Houston, nos EUA, que sua missão era privatizar a empresa. Seu antecessor, Henri Philippe Reichstul, tentou – e quase conseguiu – trocar o nome da estatal para Petrobrax, supostamente mais agradável aos ouvidos dos potenciais compradores em uma planejada privatização. Agora, com as reservas do pré-sal avaliadas em centenas de bilhões de dólares, o prato se tornou bem mais suculento. E o apetite, maior.

(*) Igor Fuser é jornalista, professor na Faculdade Cásper Líbero, doutorando em Ciência Política na USP e autor do livro “Petróleo e Poder – O Envolvimento Militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico” (Editora Unesp, 2008).


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A verdade é o antídoto contra os boatos




A propaganda reacionária e baseada em meias-verdades e mentiras inteiras do PSDB conseguiu, na reta final do 1 turno, o efeito desejado de retirar votos da Dilma.

O PIG fez bem seu papel de abastecer a campanha da direita com uma avalanche de factóides e boatos mentirosos.

Como linha auxiliar, o Serra contratou o marketeiro indiano Ravi Singh, famoso pela sua estratégia de usar e abusar de e-mails falsos para disseminação de boatos (aqui).

É verdade que toda essa máquina é poderosa. Mas, isso não significa que não deve ser combatida.

O excelente site Seja Dita Verdade, que a partir de agora está na lista de recomendados por este blog, fez uma lista dessas mentiras que circulam na web e, com muita competência e clareza, desmentiu-as todas.

Segue abaixo a lista. Com certeza, você já deve ter ouvido falar de algumas delas.

Agora, você pode fazer sua parte. Não aceite boatos. Repasse o antídoto.

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A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzil é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O branco votou no verde




Contrariando a expectativa de muitos, inclusive a deste blogueiro, a eleição para presidente vai para o segundo turno.

Como em 2006, achou-se que o bom desempenho nas pesquisas e uma campanha plasticamente bem feita seriam suficientes para ganhar a eleição já no primeiro turno.

Mas, a esquerda não ganha eleição para presidente desse jeito.

Amparados no amplo apoio da imprensa golpista e nos preconceitos difundidos pelos conservadores em todos os cantos do país, os demo-tucanos conseguiram virar votos decisivos.

É verdade que esses votos não foram para seu candidato, José Serra, mas sim para Marina.

Os votos extras de Marina são votos de quem não viu diferenças importantes entre Dilma e Serra. Ou melhor, de quem acha os dois igualmente ruins. Captam uma faixa do eleitorado que diz ter "nojo" de política, que "ninguém presta", etc.

Politicamente, é para esse eleitorado que existe a tecla "branco" na urna eletrônica.

Marina não puxou apenas os votos "verdes", puxou também os votos "brancos".

A questão é que há enormes diferenças entre Dilma e Serra.

No segundo turno de 2006, Lula soube, com razão, carimbar o PSDB como o partido da privatização. Demarcou diferenças. Tornou-as claras para a maioria da população ao ponto que Alckimin teve menos votos no segundo do que no primeiro turno.

Agora, em 2010, a situação é parecida.

Só musiquinha não vai resolver. Tem que ter mais política.

Temos que mostrar para a população brasileira, e não apenas aos eleitores de Marina, as grandes diferenças políticas entre Serra e Dilma, entre as forças políticas que apoiam o tucano e as que apoiam a petista.

Mostrar o alinhamento automático e submisso do Serra aos interesses dos Estados Unidos contra os interesses nacionais.

Mostrar que o PSDB e o PFL continuam sendo os partidos das privatizações, do Estado Mínimo e do neoliberalismo extremado.

Que os demo-tucanos, seja no governo federal seja nos governos estaduais, perseguem e criminalizam os movimentos sociais e a organização popular.

Que foi no governo Lula/Dilma que houve aumento real do salário mínimo e da rede de proteção aos mais pobres.

Ao mesmo tempo, esclarecer e prevenir a população contra as manipulações e os preconceitos que virão ainda mais fortes.

Se o segundo turno servir para politizar a campanha, terá valido a pena.

Como disse o Brizola Neto: "se temos mais um passo a dar, que ele nos leve mais longe".

sábado, 18 de setembro de 2010

Por que o PIG apoia o Serra?


A explicação para a furiosa campanha que o PIG tem feito contra a Dilma vai além da concordância com as propostas reacionárias do consórcio PSDB/PFL.

Desacreditada e com as vendas em queda (aqui), a imprensa golpista precisa das gordas verbas publicitárias repassadas pelos governos do PSDB (felizmente, o PFL não tem mais nenhum governador) para continua viva.

No governo FHC, 90% das verbas publicitárias do governo federal e das estatais iam para a Rede Globo. No governo Lula, esse número caiu para 52% (aqui).

Serra é igualmente generoso. Vejam quanto ele gastou há menos de 04 meses da eleição para manter a lealdade do PIG à sua derrotada e aética campanha:

Membro do PIG

Número do Contrato

Data

Número de Assinaturas

Valor

Revista IstoÉ

15/00548/10/04

27/05/2010

5.200

R$ 1.203.280,00

Jornal O Estado de São Paulo

15/00545/10/04

28/05/2010

5.200

R$ 2.568.800,00

Revista Veja

15/00547/10/04

29/05/2010

5.200

R$ 1.202.968,00

Jornal Folha de São Paulo

15/00550/10/04

08/06/2010

5.200

R$ 2.581.280,00

Revista Época

15/00546/10/04

11/06/2010

5.200

R$ 1.202.968,00

Total




R$ 8.759.296,00

fonte: Tijolaço

R$ 8,7 milhões! Em menos de 15 dias!

Esse é o verdadeiro escândalo nacional. Não os factóides inventados pelo PIG.

Em 03 de outubro, daremos o troco.



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Indignação seletiva


Há algum tempo, li na internet, não lembro onde, um excelente artigo sobre a chamada indignação seletiva do PIG.

Esse termo refere-se à maneira como o PIG seleciona quais notícias irão se transformar em "escândalos nacionais" e quais serão olimpicamente esquecidas.

A regra de decisão não é a gravidade ou o interesse público pelo tema. Na verdade, é uma regra bem simples que até o mais puxa-saco dos jornalistas do PIG consegue entender: se for contra o governo, reperdussão máxima. Se for contra a oposição, esqueça.

Na última semana o PIG foi pródigo em exercer sua indignação seletiva. Vejamos:

A CartaCapital dessa semana, traz uma detalhada matéria de como uma empresa chefiada pela filha do Serra, Verônica Serra, quebrou o sigilo bancário de milhões de brasileiros durante o governo FHC, do qual seu pai era ministro (aqui).

Por outro lado, a Veja, também dessa semana, traz um denúncia de que o filho da ex-acessora de Dilma e então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, estaria praticando tráfico de influência (a política de higiene do blog não permite que eu coloque um link da Veja aqui, mas tenho certeza que você já viu essa notícia.)

O que aconteceu depois? Uma investigação imparcial e cuidadosa de ambas as denúncias?

Para a filha do Serra, foi moleza. Não precisou dizer nada. A denúncia contra ela e as possíveis ligações do seu pai no esquema simplesmente sumiram. É como se nunca houvessem existido. Ninguém fala delas.

Erenice não teve o mesmo tratamento privilegiado. Ela é do PT, portanto, está em seu DNA a corrupção. Toneladas de tinta e papel são gastas para tentar, a qualquer custo, ligar as acusações contra o filho da ex-ministra com a Dilma.

Ontem, o Jornal Nacional massacrou os expectadores tentando fazer essa ligação. Acho que nem quando o Brasil ganhou a Copa uma matéria teve tanto tempo no JN. Na verdade, é difícil saber onde termina o jornal e onde começa a propaganda do Serra.

E o "escândalo" da Receita? Não. Esse já era. Não colou.

A bola da vez é o filho da Erenice. Como sempre, o PIG vai substituir a falta de provas factuais por centenas de matérias com meias-verdades e especulações. Não há tempo a perder, afinal, a eleição é daqui a apenas 15 dias.

Nesse exato momento, enquanto você lê esse blog, dezenas de jornalistas do PIG vasculham seus arquivos procurando uma foto da Dilma com o filho da Erenice. Vale até em coluna social. Não importa. O importante é conseguir alguma coisa que possa ser usada como peça publicitária.

E ainda não acabou. O fundo do poço é mais embaixo. Até o dia da eleição, PIG e o PSDB farão com que as manipulações da eleição de 1989 pareçam coisa de criança.

De tudo isso, pelo menos uma coisa foi positiva. Antes de sair da Casa Civil, Erenice falou o que todos os brasileiros falarão em 03 de outubro: Serra é um político derrotado e sem ética.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FIDELidade sempre!


Há alguns dias, o PIG, nacional e internacional, espalhou pelo mundo a incrível mentira de que Fidel Castro não era mais socialista (aqui).

Em seu delírio, o PIG exultava. Transbordava de felicidade. Fidel, o homem que junto a seu povo e seu partido vem , há 50 anos, derrotando os capitalistas de todo o mundo, ele, justo ele, havia se rendido.

Mas, apenas os tolos acham que suas mentiras podem tornar-se realidade pelo simples fato de serem amplamente divulgadas.

Então, menos de 2 dias após a falsa notícia, surge O Comandante, uniforme verde oliva, para mais uma vez calar o PIG:

"A verdade é que minha resposta significa exatamente o contrário de que ambos os jornalistas norte-americanos entenderam sobre o modelo cubano. Minha idéia, como todo o mundo conhece, é que o sistema capitalista já não serve nem para os Estados Unidos nem para o mundo, pois conduz a crises e mais crises cada vez mais constantes e globais" (aqui).

O PIG fechou-se em copas.

Vão tentar esquecer do assunto. Torcerão para que o mundo acredite na mentira divulgada. Dirão que Fidel se arrependeu de seu arrependimento.

O desmentido de Fidel não terá nem um décimo da divulgação da falsa notícia.

Essa é mentira número 78.984.562.389 que inventam contra a Revolução Cubana.

Fidel dorrotou todas.


domingo, 12 de setembro de 2010

Declaração de Voto


Uns por convicção, outros por falta de opção. Mas, enfim, é dessa forma que eu votarei em 03 de outubro:

Presidente: Dilma Rousseff - PT - 13
Governador: Mercadante - PT - 13
Senador 1: Marta Suplicy - PT -133
Senador 2: Netinho - PCdoB - 650
Dep. Federal: Darcy Rodrigues - PDT - 1203
Dep. Estadual: Raul Marcelo - PSOL - 50550

sábado, 11 de setembro de 2010

O PIG está com medo de perder também em São Paulo


A cobertura (?) das eleições no site da Folha de São Paulo traz hoje, em destaque, uma denúncia contra o governador do Ceará e candidato à reeleição Cid Gomes (aqui).

Segundo o jornal serrista, Cid usa irregularmente um avião de uma empreiteira que possui contratos milionários com o governo cearense.

Sinceramente, não tenho motivos para duvidar dessa informação. Casos de relações obscuras entre políticos conservadores e empreiteiras existem às centenas em todo o mundo.

Minha pergunta é: por que o destaque a essa notícia?

A resposta não será encontrada no Ceará, mas sim em São Paulo.

Explico: Cid Gomes é irmão de Ciro Gomes. Este último estava sumido desde que o PSB fechou com Dilma e não permitiu que ele se candidatasse a presidente.

Mas eis que Ciro voltou à cena, em São Paulo, fazendo campanha para o ultra-direitista Paulo Skaf, também do PSB. Se Skaf subir alguns pontinhos, a eleição de São Paulo vai para o segundo turno.

Nesse caso, o mais terrível cenário para o PSDB estaria próximo de se tornar realidade: vitória de Dilma já no primeiro turno e segundo turno em São Paulo.

Se a Dilma for eleita já em 03 de outubro, o PT (entenda-se, o Lula) vai entrar de corpo e alma na campanha do segundo turno paulista.

Sem o Planalto e sem o Bandeirantes, o PSDB não poderá manter, via generosas verbas publicitárias, o falido e desacreditado PIG.

A denúncia contra Cid (ainda que possivelmente verdadeira) tem um alvo certo: ameaçar Ciro Gomes. É um alerta para que o cearense não se meta nos assuntos paulistas.

O PSDB está com medo. O PIG está com medo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Desmascarado o factóide do PIG! Serra sabia de tudo há um ano.



O vídeo acima é uma reportagem do SBT feita há um ano atrás. Em menos de 5 minutos a matéria destrói o factóide que o PIG e o PSDB querem empurrar no povo brasileiro para levar a eleição ao segundo turno.

O vídeo deixa claro três coisas fundamentais:

1) Há um gravíssimo problema com o armazenamento de dados na Receita Federal. Através de um programa pirata vendido nas ruas, pode-se ter acesso aos dados fiscais de milhões de brasileiros.

2) Ao contrário do que o PIG quer que acreditemos, esse esquema não foi montado pelo PT. Políticos da oposição e da situação tiveram seus dados roubados, inclusive, o próprio presidente Lula.

3) Serra já sabia da quebra do sigilo fiscal de sua filha. A surpresa e indignação com que ele a comenta hoje são uma mera peça de marketing.

Visto no Tijolaço


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Eleições de 2010: derrotar a extrema direita


Já publiquei, aqui, que a popularidade do governo não se deve ao carisma do Lula.

Atribuir os altos índices de aprovação ao carisma do presidente é, no fundo, uma manifestação de preconceito. É dizer que o povo brasileiro não é capaz de pensar com sua própria cabeça, sendo facilmente ludibriado por líderes carismáticos e/ou bons comunicadores.

Se tudo se resumisse a uma questão de marketing, com certeza José Serra seria eleito já no primeiro turno, pois o PIG faz descarada campanha pelo candidato do PSDB há anos.

A aprovação do governo Lula deve-se à comparação com o desastroso governo FHC e, principalmente, ao desejo por mudanças políticas e à rejeição popular ao neoliberalismo.

A popularidade do governo é o resultado desses sentimentos. Ela é não apenas do Lula, mas de todos os que lutam por essas transformações, estejam eles no governo ou na oposição.

Por isso, apesar de parecer contraditório, os partidos políticos e os movimentos sociais que fizeram a oposição de esquerda ao governo são também, em grande medida, responsáveis por esses índices de popularidade.

O MST e sua luta pela reforma agrária, o MLB que agita a luta pela reforma urbana, os estudantes que protestam por mais verbas para a educação, os servidores públicos que lutaram contra a reforma da previdência, todos esses, tiveram, ao longo desses oito anos, momentos de contradição e enfrentamento com o governo.

Mas, e isso é fundamental, a oposição de esquerda manteve viva a luta por transformações sociais. Uma luta que é, com razão, identificada com o Lula e com o PT. E essa identificação fica ainda mais clara quando, do outro lado, vemos a furiosa campanha de extrema direita realizada pelo PSDB/PFL.

Enquanto existir um agrupamento político com chances de vitória (como é o caso do consórcio PSDB/PFL) tão preconceituoso, tão reacionário, tão submisso aos interesses dos Estados Unidos, com tanta aversão ao povo, será necessária a união de todas as forças progressistas para evitar que essa aliança lesa-pátria retorne ao Planalto. E esse agrupamento das forças progressistas faz-se em torno do PT, pela sua história, pelo seu tamanho e, evidentemente, pelos avanços sociais que o governo Lula conseguiu quando enfrentou as forças conservadoras do país.

Por isso, todos aqueles que desejam e lutam por um Brasil com emprego, soberano e em paz, devem trabalhar para que o PSDB e o PFL sofram uma acachapante derrota em 03 de outubro. Eleger Dilma presidente e Mercadante para o governo de São Paulo, principal base eleitoral dos tucanos.

Se isso acontecer, o movimento operário e popular terá melhores condições de luta, inclusive, se for preciso, contra o próprio governo do PT.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

Comunistas com Dilma


O Correia de Transmissão publica abaixo um trecho da avalição do atual processo eleitoral feito pelo Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário.

Eu já devia ter publicado esse texto há algum tempo. Portanto, pago agora essa dívida. A avaliação completa pode ser lida aqui.

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Derrotar Serra e a extrema direita - Avançar as lutas dos trabalhadores e do povo

Durante oito anos, de 1994 a 2002, os trabalhadores brasileiros sentiram na pele o que é um governo do PSDB: arrocho de salários, compra de deputados para aprovar a reeleição e privatizações de lucrativas empresas estatais.

Para enganar o povo, o governo do PSDB afirmou que o dinheiro das privatizações seria investido na educação, na saúde e na habitação. Mas, após entregar a preço de banana um rico e valioso patrimônio público a grandes monopólios privados, usou o dinheiro arrecadado em corrupção e no pagamento de juros aos banqueiros. No final, o Brasil ficou sem empresas como Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás e também sem os investimentos sociais.

Não bastasse, FHC criou o PROER (Programa de Estimulo e Reestruturação do Sistema Financeiro) para entregar R$ 25 bilhões dos cofres públicos aos banqueiros e sucateou a educa-ção pública.

Não fosse a resistência dos trabalhadores, teria privatizado o Banco do Brasil, a CEF, os Correios, implantado a AlCA (Área de Livre Comércio das Américas) e instalado uma base militar dos Estados Unidos no Município de Alcântara, no Maranhão, acabando com o que resta de nossa soberania.

Quando os trabalhadores reagiram a essa política e realizarem greves, o governo do PSDB agiu com toda a truculência. Prova disso foi a intervenção das tropas do Exército nas refinarias da Petrobras para reprimir a greve dos petroleiros em maio de 1995.

Em resumo, o programa do PSDB para o Brasil significa privatização do patrimônio público, repressão aos trabalhadores, arrocho dos salários e completa submissão ao imperialismo norte-americano.

Agora, o PSDB, com a candidatura de José Serra, pretende retomar o governo para mais uma vez implementar essa política. De fato, como já deixou claro em várias entrevistas, Serra é favorável a que o Brasil aprofunde sua relação de dependência com os EUA, e eleito defenderá a Alca em detrimento do Mercosul e tudo fará para derrubar os governos populares de Cuba, da Venezuela e da Bolívia.

Como se sabe, Cuba fez uma revolução em 1959 para conquistar sua independência e acabar com a exploração dos trabalhadores pelos capitalistas e, desde então, sofre um genocida bloqueio econômico e político dos Estados Unidos da América (EUA). Já os governos de Hugo Chávez, na Venezuela, e de Evo Morales na Bolívia, adotaram medidas contra a espoliação das riquezas dos seus países pelas multinacionais e enfrentam as oligarquias que há séculos roubam o povo desses países.

Porém, enquanto ataca os governos progressistas da América Latina, Serra nada diz sobre as sete bases militares que os EUA instalaram na Colômbia, a reativação da 4ª Frota Naval dos EUA ou sobre o vergonhoso golpe militar em Honduras, patrocinado pela CIA em julho do ano passado.

Ainda em sua campanha reacionária, Serra ataca o MST e as ocupações de terra, mas se cala sobre os 4,5 milhões de famílias sem terra existentes no país, resultado do avanço do capitalismo no campo, e sobre o fato de apenas 15 mil fazendeiros possuírem 98 milhões de hectares. Aliás, entre 1995 e 1996, no governo de FHC, 400 mil pequenos agricultores foram expulsos do campo e engrossaram o exercito dos sem terra em nosso país.

Por essas razões, o Partido Comunista Revolucionário (PCR), partido fundado pelo revolucionário Manoel Lisboa – covardemente assassinado pela ditadura militar em 1973 – convoca os trabalhadores e a juventude a derrotarem o candidato do PSDB e eleger Dilma Roussef, do PT, presidente da República.

É verdade que o governo Lula frustrou os trabalhadores ao não reestatizar as estatais privatizadas, continuar pagando juros bilionários da chamada dívida pública, manter privilégios para o agronegócio e cumprir um triste papel na intervenção do Haiti.

Mas é verdade também que não reprimiu os trabalhadores, apoiou os governos progressistas de Hugo Chávez e de Evo Morales e o governo revolucionário de Cuba, aumentou as verbas para a educação pública, ampliando o número de universidades públicas e de escolas técnicas e elevou o valor do salário mínimo.

Claro que isso é muito pouco diante das grandes injustiças que existem em nosso país; afinal, 1/3 da população vivem em condições precárias, milhões de jovens estão desempregados e os salários dos trabalhadores estão entre os mais baixos do mundo.

Porém, não há dúvida de que se o governo fosse do PSDB, essa situação seria ainda pior. E nós, os comunistas revolucionários, lutamos para melhorar as condições de vida do povo e não para piorá-las. Por isso, nessa eleição, derrotar o candidato da extrema direita e do imperialismo e eleger Dilma é a melhor opção para o movimento operário e popular.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Espada de Dâmocles


Como esse blog já antevia há quase 8 meses, o PSDB entrou no STF pedindo a cassação da candidatura de Dilma Roussef (aqui).

Vão, como eu havia dito, tentar ganhar no tapetão o que não conseguirão ganhar nas urnas.

Qual a acusação feita pelos tucanos?

Na verdade, isso é o que menos importa. Qualquer arremedo de acusação já serve de pretexto.

O importante é transferir o poder de eleger o Presidente da República. Sai o povo e entram os ministros do STF. Os mesmos que absolveram os assassinos e torturadores da ditadura (aqui).

Por acaso, a acusação é de quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB.

Entretanto, apesar da avalanche de manchetes sobre o tema, de concreto mesmo sabe-se apenas que um falsificador teve acesso a esses dados.

Portanto, até a funcionária da Receita é uma vítima, enganada por alguém que portava documentos falsos.

Mas, se faltam provas, sobram apoio e espaço no PIG. Aliás, reparem como a Globo, sorrateiramente, mistura a notícia do pedido de cassação com o roubo de dados da Receita (aqui).

Se alguém estiver desembarcando agora no Brasil, terá a impressão de que esse é o tema mais importante a ser discutido em uma campanha presidencial.

Porém, o objetivo da direita não é cassação imediata da Dilma. Como sabemos, o governo Lula não fez todas as transformações necessárias ao desenvolvimento da nação e que são almejadas pelas forças políticas que o elegeram.

Essa acusação ficará arquivada em alguma gaveta conservadora do Supremo. Será uma ameaça constante, uma Espada de Dâmocles, pairando sobre o ar para ser usada quanto (ou se) o governo Dilma tocar adiante as mudanças mais profundas que o país precisa.

sábado, 24 de julho de 2010

Sabatinas: quem é o professor?


Com início oficial das campanhas eleitorais os jornais e as emissoras de TV começam a fazer suas "sabatinas".

Eu, se fosse candidato, ficaria muito incomodado com esse termo.

Posso estar errado, mas na minha terra, sabatina são perguntas que o professor faz para saber se o aluno aprendeu direito a lição. Geralmente, sabatinas são feitas com os piores alunos.

A palavra sabatina traz explícita a ideia de que um lado, o professor, conhece as respostas corretas e o outro, o aluno, tem que se esforçar para acertá-las.

No caso das eleições, a imprensa tenta ocupar o lugar de "professor" e impõe aos candidatos o papel de "aluno a ser avaliado".

Fica a idéia de que o avaliador é a própria imprensa que, como realizadora das sabatinas, pode dizer qual candidato está certo e qual está errado.

Alguns dirão que a imprensa faz sabatinas em nome da população.

Mas isso é falso. Só pode falar em nome do povo aqueles que foram eleitos para tal.

No que me conste, esse não é nem de perto o caso da imprensa brasileira. Pelo contrário, quatro famílias, os Civita (Abril/Veja), os Marinho (Globo), os Frias (Folha de São Paulo) e os Mesquita (Estadão), controlam direta e indiretamente quase tudo que é publicado no país.

A imprensa não tem direito (e no caso do Brasil não tem moral) para fazer "sabatinas".

Podem e devem (com TODOS os candidatos) fazer entrevistas.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

As FARC e a luta pela liberdade na Colômbia


Imagine que no Brasil, no início dos anos 1980, os ex-presos e exilados políticos começassem a ser assassinados.

Imagine que Brizola, Arraes e Prestes, logo após regressarem do exílio, fossem mortos.

Também os fundadores do PT, Lula, Frei Betto, tivessem o mesmo destino. Junto com eles os principais filiados do MDB.

Que os militantes dos partidos comunistas PCR, MR8, PCB, PCdoB, PCBR conseguissem a liberdade de opinião apenas no papel mas que na prática continuassem sendo caçados por esquadrões de extermínio.

Se esse horrível cenário houvesse existido, o que teria acontecido com o Brasil?

Impossível responder essa questão, mas podemos ter uma boa idéia olhando para o que acontece com a Colômbia hoje.

Porque na Colômbia foi exatamente isso que a direita fez. Em 1985, as FARC propuseram suspender a luta armada, disputar as eleições e criar um partido legalizado, o Partido da União Patriótica (UP). (aqui)

Em 1986, a UP elegeu 5 senadores, 14 deputados, 23 prefeitos e 351 vereadores. Além disso, o candidato a presidente, Jaime Pardo Leal, ficou em terceiro lugar com 4,6% dos votos, a maior votação de um candidato da esquerda revolucionária colombiana.

O que aconteceu depois?

Os militantes da UP começaram a ser perseguidos e assassinados pelo exército e por grupos paramilitares de direita. Dos eleitos, foram mortos 70 vereadores, 11 prefeitos e 13 deputados. Pardo Leal também foi morto.

Ao todo, entre 3 e 6 mil militantes e simpatizantes da UP foram assassinados. Outros milhares tiveram que partir para o exílio.

Em 1988, na cidade de Segóvia, 40 militantes da UP foram executados em praça pública por paramilitares com a conivência da polícia.

Em 1994, a UP perdeu seu último membro no parlamento quando o senador Manuel Cepeda Vargas foi assassinado.

Portanto, na Colômbia não há democracia.

O país vive em uma ditadura chefiada pela narcoburocracia que tomou conta do Estado. São inúmeras as ligações entre o governo e o tráfico. Inclusive com o próprio Álvaro Uribe (aqui).

O PIG e os países capitalistas fazem vistas grossas a esses crimes porque o governo colombiano é totalmente submisso aos interesses dos Estados Unidos, aceitando até a instalação de 7 bases norte-americanas em seu território.

As FARC e os demais comunistas colombianos são obrigados a recorrer às armas pois, diante da repressão política, essa é a única maneira de defender os interesses do povo.

O prolongamento da guerra civil na Colômbia é do interesse dos EUA e da narcoburocracia porque assim podem mascarar seu verdadeiro objetivo de rebaixar o país a uma mera colônia norte-americana.

Em 2008, o comandante Raul Reyes, assassinado numa operação ilegal em território equatoriano, declarou:

"Na Colômbia, como em outros países do continente, não deveria ser necessária a luta armada se houvesse outras condições. Mas por aqui já assassinaram e continuam assassinando a oposição revolucionária." (aqui)

Para que haja paz na Colômbia é preciso que se reconheça a guerrilha como força beligerante nos termos da Convenção de Genebra (aqui), garanta a liberdade de opinião e de atuação política para todos os cidadãos e puna os assassinos e torturadores dos militantes da UP e das demais organizações populares.

Classificar as FARC como terroristas é fazer o jogo do imperialismo e impedir a paz na Colômbia. Não é à toa, portanto, que o candidato da direita, José Serra, faz questão de acusar as FARC como antes já havia acusado Evo Morales.

O PIG já percebeu isso e tenta transformar a ignorância de Índio da Costa em "mais um problema" para a campanha de Dilma.

Entretanto, o tiro pode sair pela culatra. Ao chamar atenção à situação do país vizinho, os reacionários podem ter criado, sem querer, o espaço propício para que seja desmascarada a farsa que é a atual "democracia" colombiana.

terça-feira, 20 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"No Brasil, a classe operária tem cor". Florestan Fernandes


Acabo de assistir, na TV Senado, a entrevista do Ministro Eloi Ferreira de Araujo. Ele comentava a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

Sobre essa questão, há o argumento de que medidas tais como o estatuto e as cotas raciais nas universidades são equivocadas pois a verdadeira divisão da sociedade é entre trabalhadores e capitalistas e não entre brancos e negros.

Sim, é verdade que a divisão fundamental do mundo moderno é entre trabalhadores e capitalistas. Mas essa afirmação, que é absolutamente correta no plano da teoria geral, corre o risco de transformar-se em um dogma se não forem feitas as mediações necessárias entre esse plano mais geral e a luta específica de cada país.

Qualquer pesquisa social mostra que os negros no Brasil recebem menores salários, têm menor expectativa de vida e menos anos de escolaridade.

A que se deve isso?

É inegável que essa situação é um resultado direto dos séculos de escravidão. A Lei Áurea não garantiu nenhum direito nem indenização econômica e moral pela escravidão. Na prática, os filhos dos negros continuaram tão dependentes aos capitalistas quanto antes.

As políticas raciais afirmativas são, portanto, uma questão de justiça histórica para o Brasil. Só a sua discussão já é uma espécie de "abertura dos arquivos da escravidão" que tal como os arquivos da ditadura são mantidos em segredo pelos reacionários.

Sua aprovação é um passo decisivo para a constituição de uma nação brasileira reconciliada com sua origem e capaz de encarar de frente seus outros problemas sociais.

Mais que isso, as políticas raciais afirmativas expõem as raízes e a maneira pela qual os privilégios dos capitalistas brasileiros foram formados e consolidados. Uma história que a elite prefere esconder.

As políticas raciais afirmativas enfrentam os mais arraigados preconceitos e as falsas construções teóricas e históricas do capitalismo brasileiro. Enfrentam, enfim, a ideologia burguesa que é um dos principais obstáculos para nosso desenvolvimento social.

Aliás, é exatamente porque a sociedade se divide entre capitalistas e trabalhadores que os trabalhadores "de todas as cores" devem apoiar a luta de seus irmãos negros por essa reparação histórica.

As políticas raciais afirmativas não dividem as forças que lutam pelo socialismo. Pelo contrário, as fortalecem.

PS: Em 2000/2001, eu defendia junto a outros companheiros que fôssemos contra as cotas nas universidades. Eu estava errado.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Paraiba vota Lira - 50200

Se você vota na Paraiba, o Correia de Transmissão tem um recado importe para você:

Não vote nesses velhacos da política que não têm nenhum compromisso com a juventude e os trabalhadores.

Vocês têm uma opção muito melhor.

Indico, com satisfação, o voto no meu camarada Emerson Lira para deputado estadual.

Lira é militante do Partido Comunista Revolucionário. Tem intensa atuação no movimento estudantil e, mais recentemente, no movimento sindical da Paraiba.

Se você quer um candidato que lute pelo poder popular e pelo socialismo, eu lhe garanto, seu voto é para o camarada Lira.

O Correia de Transmissão mata a cobra e mostra o pau. Acesse o blog do camarada Lira e confira porque ele realmente merece seu voto.

O número de Lira é 50200.

O socialismo avança!

PS: Em breve, mais notícias sobre a eleição deste ano.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

E agora, Meirelles?

No início do mês de junho, o Banco Central aumentou a taxa de juros do Brasil dizendo que era para conter o aumento da inflação.

Publiquei, aqui, que esse argumento era falso, pois a inflação está dentro da meta estabelecida e em queda desde fevereiro. Além disso, o investimento estava crescendo acima do crescimento do PIB.

Agora, o IBGE captou uma inflação de 0% em junho (aqui).

Isso mesmo. Zero porcento.

Se os argumentos do BC já eram falaciosos, agora, são motivo de piada.

O aumento da taxa de juros beneficia em primeiro lugar aqueles que especulam com os títulos da dívida pública.

A situação é tão constrangedora que o portal da Globo, ao invés de dizer que o índice foi de 0%, preferiu dizer enigmaticamente que "o índice não variou" (aqui).

Tucanaram o zero!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Dunga enfrentou a Globo. Essa é a grande vitória



O Brasil perdeu a Copa. Um resultado, sinceramente, normal.

Mas teve algo de "anormal" nessa Copa.

O técnico da seleção enfrentou a Globo.

Esse ano não tivemos "big brother" de dentro do ônibus do time.

Os jogadores não deram entrevistas exclusivas para o Fantástico, o Jornal Nacional nem para Ana Maria Braga (aqui e aqui).

Nesse ano, o técnico da seleção não perdeu o início de nenhuma partida por estar dando entrevista para o PIG.

Enfim, a Globo não conseguiu faturar nem alavancar sua audiência com essa Copa como conseguiu com as anteriores (aqui).

O Dunga enquadrou a Globo.

Não sei o que ele pensa sobre outros assuntos. Mas, nesse caso, ele está coberto de razão.

Com a eliminação, começa agora a caça às bruxas à procura de um culpado.

Cada um terá seu candidato a cristo.

Eu, que também sou brasileiro, tenho o meu:

Para mim, A CULPA É DA GLOBO!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Serra, o despreparado


Desde que foram indicados os nomes dos candidatos à Presidência da República, o PIG tem enchido as suas páginas com pseudo-análises sobre como o Serra é mais preparado, tem mais experiência eleitoral, blá, blá, blá...

Pois não é que "o mais preparado" conseguiu fazer a maior lambança na sua própria chapa?!

Depois de criar uma novela em torno de quem seria o vice do tucanato, eis que o nome do indicado é anunciado por ninguém menos que Roberto Jefferson (olha ele aí). E via Twitter!!

O Serra não tem competência nem pra anunciar o vice da sua chapa.

E o PFL, hein? Que gastou a maior parte do seu tempo na TV com a impopular figura do Serra, como fica?

Fica igual a bagaço de laranja. Ninguém quer! Teve até que reduzir o número de cadeiras para sua esvaziada convenção nacional (aqui).

O fato é que a chapa da direita chega nas eleições rachadinha, rachadinha. Haja preparo eleitoral!

No fundo, a aliança PSDB/PFL/PPS é isso aí. Uma mistura de conservadorismo político, fisiologismo e rasteiras eleitorais.

Se merecem.

O Brasil é que não merece nenhum deles.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Punição aos inocentes


Israel possui um arsenal secreto de armas nucleares. Impõe ao povo palestino um regime de apartheid e, na semana passada, assassinou ativistas desarmardos que tentavam entregar comida e medicamentos na Faixa de Gaza.

Diante dos protestos internacionais, Israel anunciou uma "suavização" do bloqueio imposto à Faixa de Gaza. (aqui)

Em que consiste essa "suavização"? Consiste em permitir, depois de três anos, a entrada em território palestino de "refrigerantes, marmelada, sucos e doces"!

Como se vê, materiais altamente inflamáveis e que põem em risco a existência do Estado de Israel.

Por outro lado, enquanto o governo israelense debocha do sofrimento palestino e da indignação mundial, o Conselho de Segurança da ONU votou novas sanções econômicas ao Irã que não possui bombas atômicas nem ocupa ilegalmente nenhum território estrangeiro.

Sobre essa votação na ONU, registre-se, a bem da justiça, o voto contrário do Brasil e da Turquia.

Infelizmente, porém, o imperialismo pode contar com seus lacaios internos sempre prontos a lustrar com sua saliva as botas norte-americanas.

Assim, o Dep. Raul Jungmann (PPS) não perdeu tempo em declarar seu apoio às sanções ao Irã e criticar o voto contrário do Brasil. Para o deputado, o voto do Brasil foi um "tiro no pé" porque "amanhã, se o Irã vier a explodir uma bomba atômica o mundo vai olhar para o Brasil e vai dizer: 'veja, vocês ajudaram eles, vocês deram tempo para eles'."(aqui)

Como sempre, Jungmann está errado. É justamente porque as sanções econômicas e as ameaças militares contra o Irã estão crescendo que o governo iraniano não terá outra opção que não seja construir armas nucleares para defender seu país.

Tenho nojo de Raul Jungmann.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Juros contra o Brasil


Ansioso por agradar seus colegas, o banqueiro Henrique Meireles, temporariamente à frente do Banco Central do Brasil, não vê a hora de aumentar a taxa de juros do país.

A desculpa, como sempre, é de que o aumento é necessário para controlar a inflação.

Porém, faltou combinar com a inflação. Como mostrado no flagra acima, a inflação de maio foi a menor do ano e confirma uma tendência de queda que vem desde de fevereiro.

A redução do ritmo de crescimento, que o aumento da taxa de juros provoca, só faz sentido para conter a inflação se a economia estiver operando perto de seu nível máximo de emprego e se não houver um aumento do investimento, que eleva esse nível máximo.

Acontece que, como os próprios banqueiros reconhecem, o investimento aumentou em 7,4% (aqui).

Aumentar os juros em um contexto de inflação baixa e em queda e com investimento em alta é um crime contra a economia nacional.

O verdadeiro motivo da taxa de juros não é controlar a inflação, mas sim validar as apostas que os especuladores fazem com os títulos da dívida pública.

PS: De brinde, a Miram Leitão sorrindo, o que é sempre um péssimo sinal para o país.

[ATUALIZADO]: O Banco Central elevou a taxa de juros em 0,75%, exatamente como queriam os banqueiros. Agora a taxa de juros brasileira é de 10,25%.

Presidente Lula, o senhor que é contra as sanções econômicas ao Irã, seja contra também as sanções econômicas ao Brasil.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Monstro Nazista


A arrogância e a brutalidade do exército e do governo de Israel não têm limites.

O ataque israelense aos barcos com alimentos e medicamentos para a Palestina é um crime contra a humanidade.

O mundo, revoltado, espera uma atitute do que se chama de organismos multilaterais, principalmente da ONU.

Atitude que, infelizmente, não virá, pois a ONU está sempre pronta para fechar os olhos e botar panos quentes sobre os crimes cometidos pelos Estados Unidos, Israel e seus aliados.

O ataque de Israel mostra porque o Irã não pode abrir mão de seu programa nuclear e deve, inclusive, construir bombas atômicas. Esse é o único meio de dissuadir a besta nazi-sionista. Mostra também porque a Coréia do Norte não pode confiar na ONU e em acordos afiançados por esses decadentes organismos multilaterais.

O Correia de Transmissão já comentou sobre o gravíssimo erro que foi o governo brasileiro ter concedido vantagens comerciais aos capitalistas israelenses através de uma acordo com o Mercosul (aqui).

Israel impõe um regime de aparheid aos palestinos. Israel possui um arsenal secreto de bombas nucleares e se recusa a assinar o tratado de não proliferação de armas de destruição em massa. Ocupa territórios ilegalmente da Síria, Líbano e Jordânia.

Estejamos agora preparados para assistir a um espetáculo de mentiras e hipocrisias para tentar justificar e abafar esse ataque covarde. O exército sionista já disse que atacou em legítima defesa contra ativistas desarmados que atiravam pedaços de paus e canos contra navios de guerra de última geração. Nos próximos dias não faltarão outras desculpas patéticas.

Certamente, não veremos José Serra se indignar contra esse atentado contra os direitos humanos.

Por outro lado, poderemos saber quais governos de fato merecem o rótulo de progressistas e quais se calarão diante da ascensão nazi-sionista do exército e do governo de Israel.

Enquanto isso, os Estados Unidos aumentam a pressão para uma nova rodada de sanções contra o ... Irã.

Canalhas!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Universo Paralelo


Hillary Clinton diz que acordo com o Irã, mediado pelo Brasil e pela Turquia, deixa o mundo mais perigoso (aqui).

Uau! Como? Por quê? Em que planeta?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil


Depois de falar sobre os direitos humanos em Cuba e na Venezuela (mas não no Iraque e no Afeganistão) e de ficar cético em relação ao programa nuclear do Irã (não em relação ao de Israel), o candidato da direita, José Serra, disse agora que a Bolívia faz "corpo mole" no combate ao tráfico de drogas (aqui).

Por que ele não diz que os EUA fazem corpo mole no combate à lavagem de dinheiro que financia esse tráfico?

Do jeito que a coisa anda, não vai demorar para o tucano dizer que o Brasil está pronto para ajudar na "luta contra o terror".

Não deixe de conferir, aqui, o restante do programa do candidato do PSDB/PFL.

Obviamente esse discurso reacionário renderá muito poucos votos para Serra, no Brasil, além dos que ele já tem. Mas vai deixar os "falcões" morrendo de amores pelos tucanos.

Qual o objetivo desse alinhamento automático com os EUA? Falta de preparo? Conseguir mais dinheiro para a campanha? Agradar o PIG? Ou coisa pior?

terça-feira, 25 de maio de 2010

O candidato da direita


Desde que oficializou sua candidatura, José Serra tem dito que é "de esquerda". Chegou até mesmo a discutir com a porta-voz do neoliberalismo econômico, Míriam Leitão.

Entretanto, a máscara do Serra não tarda a cair. Ultimamente, quando perguntado sobre suas propostas para a política externa brasileira, o candidato tucano diz que vai "defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos" (aqui). Na aparência, essa frase é perfeita. Mas, e na essência?

Quando Serra diz que vai defender os direitos humanos, na verdade, ele está dizendo que vai defender a política externa imperialista dos Estados Unidos.

Não nos percamos pelas palavras. Sempre que fala em direitos humanos, Serra critica o Irã, Venezuela e Cuba. E por que ele não critica as ocupações do Iraque e do Afeganistão? Por que não critica o apartheid de Israel contra os palestinos? Ou será que o tucano acha que os direitos humanos são respeitados pelas tropas invasoras dos EUA? Ou que direitos humanos são apenas para os aliados da Casa Branca?

Criticar os direitos humanos em Cuba e na Venezuela é uma prova cabal de servilismo. Ao contrário do que diz o candidato do PSDB/PFL, esses dois países são exemplos de luta pela garantia dos direitos humanos para seus cidadãos.

No caso do Irã, é inegável a sanha belicista dos Estados Unidos e de Israel para atacar o país persa. Os esforços de Lula por um acordo que impeça esse ataque, no que pese todas a críticas que podem e devem ser feitas a seu governo, é digno de aplauso e respeito.

Aliás, não é a toa que Serra declara-se "cético" quanto a esse acordo (aqui).

Os paulistas sabem bem o apreço de Serra pelos direitos humanos. Quando era governador de São Paulo, truculência era seu slogan. Para dar apenas um exemplo, vejam como ele conseguiu transformar greves de servidores públicos em batalhas campais.

Serra não fala para o povo. O endereço de sua mensagem é outro. Seu discurso que hipocritamente cita os direitos humanos é na verdade música nos ouvidos dos imperialistas e de seus lacaios brasileiros.

Serra diz que é "de esquerda" por puro oportunismo político. Diz isso porque sabe que a direita está desgastada moralmente no Brasil e no mundo.

Não existe "serrinha paz e amor". Serra é o candidato da direita.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Nosso foco é o Pré-Sal"


Comprei, desavisadamente, o jornal Brasil Econômico do sábado dia 15 de maio.

Nele, há uma entrevista do cônsul-geral do Reino Unido no Brasil, John Doddrell. O cônsul, sem nenhum pudor, fala que o foco da Inglaterra no Brasil é o Pré-Sal.

Ele chega ao cúmulo de dizer quer discutir com o Brasil as formas de proteção do Pré-Sal.

Ora, é claro que nós devemos proteger nossas riquezas naturais. A pergunta é: protegê-las contra quem?

A História mostra bem o que acontece com um país cujas riquezas são "focadas" pelos ingleses.

Aliás, em se tratando de roubo de petróleo e riquezas naturais, a Inglaterra é professora. O que dizer das Ilhas Malvinas, um território argentino invadido pelos ingleses? (leia aqui o excelente artigo do Dep. Brizola Neto sobre a importância da questão das Malvinas para o Brasil)

A cinismo do cônsul só não é maior do que o do próprio jornal que aceita calado essas declarações.

Como se não bastasse, na mesma edição há uma matéria sobre como a indústria de bens de luxo tem "educado" a população e uma defesa do alinhamento automático do Brasil aos interesses dos Estados Unidos.

Comprei esse jornal uma vez. Não comprarei a segunda.

domingo, 9 de maio de 2010

Jarbas candidato: a direita pernambucana em crise


O Senador Jarbas Vasconcelos, anunciou, no dia 06/05, que será candidato ao governo do estado nas próximas eleições.

Jarbas foi governador de Pernambuco por oito anos, de 1998 a 2006. Sua gestão foi a execução do programa neoliberal a nível estadual. Chegou ao cúmulo de usar a Casa Militar do Governo do Estado para perseguir e espionar os movimentos sociais (aqui).

No Senado, sua obra de maior relevância foi defender os latifundiários que exploram trabalho escravo (aqui) e dar aquela esquecível e patética entrevista à Veja (aqui).

A direita pernambucana tenta mostrar que a candidatura de Jarbas significa seu fortalecimento.

Mas isso não é verdade.

Jarbas não queria ser candidato. Ele sabe a dificuldade de enfrentar a máquina estadual quando um governador tenta a reeleição. Ele mesmo usou desse artifício como ninguém.

Mas Jarbas não tem escolha. Ou é candidato ou verá a direita do estado definhar.

Dois senadores da direita tentam reeleição este ano. Um deles, Sérgio Guerra (PSDB), já praticamente desistiu. O outro, Marco Maciel (PFL), está em situação difícil.

A não reeleição de Marco Maciel, interventor de Pernambuco durante a ditadura, seria uma derrota histórica para a direita do estado.

Como se não bastasse, a menino prodígio dos reacionários, Mendocinha (PFL), não tem mais condições de se candidatar. Ele, que foi vice-governador de Jarbas, sofreu duas acachapantes derrotas eleitorais nas eleições para o governo e para a prefeitura do Recife.

Por fim, a candidatura de Jarbas serve para motar um palanque para José Serra (PSDB) em Pernambuco que, caso contrário, não teria nem onde pisar.

A direita de Pernambuco está em crise. A candidatura de Jarbas é a prova disso.