quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

EUA prepara-se para atacar a Líbia


Ontem publiquei a grave, e agora confirmada, denúncia feita por Fidel Castro sobre os preparativos da OTAN para atacar a Líbia (aqui).

Hoje, Obama confirmou "que irá coordenar ações com os aliados europeus para conter a violência no país" (aqui).

Já vimos esse roteiro.

Em 2002, os EUA se utilizaram da comoção internacional pelas mortes no ataque ao World Trade Center para invadir o Afeganistão.

Agora, os EUA se aproveitam do levante popular no mundo árabe para atacar a Líbia.

Não acredito nas notícias da Fox News nem em números de ONGs como a Human Right Watch, expulsa da Venezuela por opoiar a oposição golpista.

Esse mesmo tipo de imprensa se esforça para fazer-nos crer que a revolução no Egito se encerrou com a troca de Mubarak por uma junta militar composta por integrantes da ditadura.

Portanto, se conquistar a Líbia, o saldo para o imperialismo do levante árabe pode, por incrível que pareça, não ser tão ruim.

Não se trata de defender incondicionalmente o governo de Kadafi.

Mas os EUA não pouparão esforços diplomáticos, midiáticos e financeiros para controlar e dirigir os autênticos manifestantes líbios e, no fim, transformá-los em agentes inconscientes do imperialismo.

Uma coisa é certa: a pior das hipóteses é a invasão da OTAN.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reflexões de Fidel sobre a Líbia


No dia 20/02, publiquei que devíamos ter cuidado com as notícias sobre a Líbia. Em primeiro lugar, pela história da Revolução Líbia e do próprio Kadafi. E em segundo, pelas fontes nada confiáveis como a ONG golpista Human Right Watch.

Acrescento agora minhas suspeitas sobre as notícias "estilo Fox News" como a de que a Força Áerea da Líbia teria bombardeado manifestantes e a de que Kadafi teria fugido para a Venezuela.

Hoje, tenho certeza que não estou sozinho em minha cautela. Fidel Castro publicou, no dia 21 de fevereiro, suas reflexões sobre a situação da Líbia (veja tradução livre abaixo e o original aqui).

O Comandante, além de denunciar as "pérfidas intenções" dos que mentem sobre situação líbia, alertou que "deve-se esperar o tempo necessário para conhecermos com rigor o que é verdade e o que é mentira".

Mais grave, Fidel revelou os planos da OTAN de invadir a Líbia e apoderar-se de suas ricas reservas de petróleo.

A imprensa imperialista, ao mesmo tempo que prepara a justificativa para a invasão da Líbia, tira de cena a continuidade da revolução no Egito, que não acabou com a troca de Mubarak por meia dúzia de seus próprios generais.

Veja abaixo a análise de Fidel.

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O Plano da OTAN é invadir a Líbia

O petróleo converteu-se na principal riqueza nas mãos das grandes transnacionais yankes. Através dessa fonte energética, elas passaram a dispor de um instrumento que aumentou consideravelmente seu poder político sobre o mundo. Privar Cuba de petróleo foi a principal arma usada pelas transnacionais quando decidiram liquidar a Revolução Cubana, tão logo foram promulgadas as primeiras leis justas e soberanas em nossa Pátria.

Sobre essa fonte de energia desenvolveu-se a civilização atual. Venezuela foi a nação deste hemisfério que pagou o maior preço. Os Estados Unidos fizerem-se donos das enormes reservas com que a natureza dotou esse país irmão.

Ao fim da última Guerra Mundial, os EUA começaram a explorar maiores quantidades de petróleos do Irã, assim como da Arábia Saudita, Iraque e dos países árabes situados ao redor. Esses passaram a ser seus principais fornecedores. O consumo mundial elevou-se progressivamente à fabulosa cifra de aproximadamente 80 milhões de barris por dia, incluindo os que são extraídos no território dos Estados Unidos. A essa cifra soma-se o consumo de gás, energia hidráulica e nuclear. Até o início do século XX o carvão era a fonte fundamental de energia que tornou possível o desenvolvimento industrial, antes de serem produzidos bilhões de automóveis e motores consumidores de combustível líquido.

O consumo exagerado de petróleo e gás está associado a uma das maiores tragédias, ainda não resolvida, que castiga a humanidade: a mudança climática.

Quando nossa Revolução surgiu, Argélia, Líbia e Egito não eram produtores de petróleo e grande parte das enormes reservas da Arábia Saudita, Iraque, Irã e Emirados Árabes Unidos ainda não tinha sido descobertas.

Em dezembro de 1951, a Líbia converteu-se no primeiro país africano a alcançar sua independência depois da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, seu território foi cenário de importantes combates entre as tropas alemãs e do Reino Unido, que deram fama aos generais Erwin Rommel e Bernard L. Montgomery.

95% do território líbio é totalmente desértico. A tecnologia permitiu descobrir importantes reservas de petróleo leve de excelente qualidade que hoje alcançam 1,8 milhões de barris por dia e abundantes depósitos de gás natural. Tal riqueza permitiu alcançar um expectativa de vida de quase 75 anos e a mais alta renda per capita da África. Seu rigoroso deserto está assentado sobre um enorme lago de água fóssil, equivalente a mais de três vezes a superfície de Cuba, com o qual foi possível construir uma ampla rede de condutores de água doce que se estende por todo o país.

A Líbia, que tinha 1 milhão de habitantes quando de sua independência, conta hoje com pouco mais de 6 milhões. A Revolução Líbia teve lugar no mês de setembro do ano de 1969. Seu principal dirigente foi Muammar al-Kadafi, militar de origem beduína, que em sua juventude se inspirou nas idéias do líder egípcio Gamal Abdel Nasser. Sem dúvida, muitas de suas decisões estão associadas com as mudanças que se produziram quando, assim como no Egito, uma débil e corrupta monarquia foi derrubada do poder na Líbia.

Os habitantes da Líbia tem tradições guerreiras milenares. Diz-se que os antigos líbios formaram parte do exército de Aníbal quando este esteve a ponto de liquidar Roma Antiga com suas tropas que cruzaram os Alpes.

Pode-se estar ou não de acordo com Kadafi. O mundo tem sido invadido, pelos meios massivos de informação, com todo tipo de notícia. Deve-se esperar o tempo necessário para conhecer com rigor o que é verdade e o que é mentira nos atos de todos os tipos que, em meio ao caos, estão sendo realizados na Líbia. O que para mim é absolutamente evidente é que o Governo dos Estados Unidos não se preocupa em absoluto com a paz na Líbia e não vacilará em dar à OTAN a ordem de invadir esse rico país, talvez em questão de horas ou em muito poucos dias.

Os que com pérfidas intenções inventaram a mentira de que Kadafi se dirigia para a Venezuela, como fizeram na tarde de domingo, 20 de fevereiro, receberam hoje a digna resposta do Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, quando expressou textualmente que fazia "votos para que o povo líbio encontre, no exercício de sua soberania, uma solução pacífica para suas dificuldades e que preserve a integridade de seu povo e da nação líbia, sem a ingerência do imperialismo".

De minha parte, não imagino o dirigente líbio abandonando o país ou fugindo das responsabilidades que lhe imputam, sejam ou não falsas em parte ou em sua totalidade.

Uma pessoa honesta estará sempre contra qualquer injustiça que se cometa contra qualquer povo do mundo, e a pior delas, neste instante, é ficar em silêncio ante ao crime que a OTAN se prepara para cometer contra o povo líbio.

O comando desta organização belicista está pronto para cometê-lo.

Deve ser denunciado!

Fidel Castro
21/02/2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Líbia pode ser diferente

Os levantes populares que tomam conta do mundo árabe são a justa revolta da população contra as péssimas condições de vida impostas por governos submissos aos interesses dos Estados Unidos.

Esse era o caso dos governos da Tunísia, do Egito e ainda o é do governo do Barein, Arábia Saudita, Jordânia e outros.

Entretanto, a Líbia pode ser diferente.

O governo líbio, dirigido por Muammar al-Kadafi, é historicamente um adversário do imperialismo estadunidense na região.

Em 1969, Kadafi liderou uma revolução popular que derrubou a monarquia do Rei Ídris I, que governava em nome das petroleiras multinacionais.

No poder, Khaddafi expulsou as bases militares dos EUA e da Inglaterra, nacionalizou a indústria do petróleo e apoiou movimentos revolucionários em várias partes do mundo.

Junto ao egípcio Gamal Abdel Nasser, Kadafi foi um dos símbolos da luta contra o colonialismo no Oriente Médio e Norte da África.

Nos últimos anos, porém, o governo líbio tem adotado várias medidas para aumentar suas relações com os Estados Unidos e a Europa.

Apesar disso, ao contrário dos outros governos da região, a queda de Kadafi seria comemorada em Washington.

Chama a atenção também o fato de que os números sobre os conflitos na Líbia tenham como principal fonte a ONG Human Right Watch (HRW).

A HRW é conhecida no mundo por se utilizar de sua fachada de defesa dos direitos humanos para desestabilizar governos progressistas.

Em 2007, HRW foi expulsa da Venezuela por apoiar a oposição golpista.

Essa não seria a primeira vez que o imperialismo, visando seus próprios interesses, manobra os sentimentos de frações da população.

Já vimos isso na Venezuela, no Irã e na Bolívia.

Por outro lado, essa não seria também, infelizmente, a primeira vez que um governo revolucionário degenera-se em uma ditadura.

Portanto, vale o aviso: atenção com as notícias sobre a Líbia.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Multinacionais remetem US$ 30 bilhões para o exterior

Em matéria publicada na CartaCapital de 16/02, os professores Fernando Sarti e Célio Hiratuka fazem importante alerta sobre a condução da política econômica brasileira.

De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, apenas em 2010, as empresas multinacionais no Brasil remeteram para suas matrizes no exterior nada menos que US$ 30 bilhões.

E as remessas bilionárias de 2010 não foram uma exceção. Em 2009 as multinacionais remeteram US$ 25 bilhões e em 2008, no auge da crise, atingiram o recorde de US$ 33 bilhões.

Ou seja, as empresas multinacionais retiram dinheiro do país para compensar os prejuízos que tiveram nas outras regiões do planeta, em particular, nos países centrais.

Esses números são importantes por duas razões principais.

A primeira é que revela a falácia da defesa da liberalização dos fluxos de capitais internacionais com base no Investimento Direto Externo (IDE).

IDE é a modalidade de fluxo de capital em que o capital entrante é investido na construção de novas indústrias ou na compra das já existentes. Supostamente, esse seria um "capital bom" pois estaria gerando riqueza no país.

Ora, como os números acima demonstram, o dinheiro que entra via IDE é, depois de valorizado, enviado de volta através da remessa de lucros. Além disso, a parte do IDE que é utilizada na compra das empresas já existentes não cria, a princípio, nenhuma riqueza nova, representando apenas a transferência de controle da empresa. Esse é o caso, por exemplo, do IDE que entrou no país para comprar as empresas privatizadas.

A segunda questão levantada pelos números do BC é sobre as condicionalidades que o governo deve exigir das empresas que conseguem benefícios fiscais e financiamentos subsidiados.

Como revela a matéria de CartaCapital, a indústria automobilística, a campeã em isenções fiscais por parte do governo brasileiro, foi também a que mais remeteu lucros para suas combalidas matrizes no exterior.

Um governo que retira impostos e concede empréstimos subsidiados deve, no mínimo, estabelecer metas e diretrizes para as empresas beneficiadas como, por exemplo, garantir bons salários e estabilidade para seus trabalhadores.

A pior das hipóteses é manter-se apegado aos preconceitos neoliberais de eficiência dos mercados. Uma miopia que custou, apenas nos últimos três anos, quase US$ 100 bilhões.

PS: já comentei (aqui) que o governo está prestes a cometer erro semelhante na questão da transferência de tecnologia na compra dos novos caças da FAB.



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Questão de valores


O que você faria se seu filho pequeno passasse a cobrar para que seus coleguinhas de escola "peguem carona" no guarda-chuva dele em dias de chuva?

Aproveitaria a oportunidade para ensiná-lo os valores da amizade e da solidariedade?

Pois bem, a família Eike Batista pensa diferente.

Cobrar pela carona no guarda-chuva foi o primeiro "empreendimento" de Thor Batista, filho de Eike Batista, na época com apenas 9 anos. Graças a esse "negócio", a mãe, Luma de Oliveira, percebeu que "empreender está no DNA dele".

Agora, Thor abriu oficialmente sua primeira empresa, uma luxuosa boate no Jockey Club do Rio de Janeiro.

Porém, apesar de seu DNA vencedor, Thor tem pouca "aptidão para matemática" e trancou a faculdade de economia.

O pai, em um arrombo de humildade, aconselhou-o de que "a melhor faculdade é acompanhá-lo em suas reuniões de negócios".

Chique no último!

Clique aqui para ler a incrível reportagem da Folha sobre a mais nova empresa do grupo EBX.

O Correia de Transmissão deseja sorte ao jovem Thor e sugere, abaixo, uma música para animar as festas na sua boate.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ah, que falta faz um partido comunista




Diante da insurreição popular, a imprensa burguesa não consegue mais esconder o caráter ditatorial dos governos pró-EUA no Oriente Médio.

A mesma imprensa que há apenas alguns meses retratava o Irã como o centro da opressão mundial, agora, de repente, descobre, depois de 30 anos (!), que Mubarak é um ditador!

Milhares, ou melhor, milhões de pessoas tomam as ruas do Cairo e das principais cidades do Egito (o mais populoso país do mundo árabe).

O até ontem tão temido aparato de repressão de Mubarak é literalmente atropelado pelo povo egípcio (vejam o extraordinário vídeo acima).

O exército, perplexo e impotente, está claramente sem condições e sem comando para debelar a insurreição.

Não consigo imaginar uma situação mais clara de vácuo de poder.

O "cavalo selado" está passando.

Infelizmente, insurreições populares como a que está acontecendo no Egito não podem, espontâneamente, efetivar as mudanças que as motivam.

São capazes de derrubar governos imperialistas. Mas não conseguem colocar em seu lugar um governo dos trabalhadores.

Para isso, é preciso que haja um partido comunista revolucionário, respeitado e integrado às massas populares que agora travam batalhas homéricas nas ruas egípcias.

Se no Egito houvesse tal partido, os enfrentamentos não aconteceriam quase que ao acaso e em resposta às provocações dos agentes pró-Mubarak.

Pelo contrário, seguiriam um plano elaborado e coordenado.

Derrotar as últimas trincheiras do moribundo governo de Mubarak, anunciar a instalação de um novo governo. Consolidá-lo junto ao povo desperto através da socialização dos meios de produção.

(Não posso deixar de recomendar a leitura do imprescindível livro "Dez dias que abalaram o mundo", de John Reed)

A luta no Egito já dura 12 dias e exige esforços e sacrifícios gigantescos ao seu povo. Não há como dizer quanto tempo poderá ser mantida.

Mas é fato que há um limite.

E aí o cavalo selado terá passado e a oportunidade histórica perdida.

Tudo agora é uma questão de tempo.

Obama e os imperialistas sabem disso. É esse o real significado da "transição pacífica" pregada pelo governo dos EUA.

Esgotar o impulso revolucionário do povo egípcio. Confudí-lo, extenuá-lo. Trocar o governo de Mubarak por um outro igualmente aliado aos interesses norte-americanos.

Claro, esse novo governo (de ElBaradei, por exemplo) concederia liberdades democráticas e atenderia a algumas das demandas populares. Mas seria incapaz ou sequer teria interesse em realizar as profundas transformações pelas quais lutam os egípcios.

Nada, entretanto, está definido. Pois, se agora tudo é um questão de tempo, há dias que valem por anos.

Nos últimos 12 dias, a História do Egito passou mais rápido do que nos últimos 30 anos juntos!

Nada impede, portanto, que nesse exato momento esteja nascendo uma organização política capaz de desempenhar as funções de um partido comunista revolucionário.

Por isso, não perco a esperança de que o país que é mundialmente conhecido pelo poder de seus Faraós seja, em breve, admirado pelo poder de seu povo livre e soberano.



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Empresas aéreas são as responsáveis pela greve


A Classe Média está em festa.

A Justiça(?) mandou acabar a greve dos aeroviários! (aqui)

A decisão foi tomada para "garantir o direito de ir e vir dos cidadãos".

E os direitos dos aeroviários? Quem garante?

As reivindicações desses trabalhadores eram justas e bem razoáveis. Queriam um aumento real de seus salários de 7% e respeito à jornada de trabalho de 08 horas.

As empresas aéras, pelo contrário, foram irredutíveis. Propuseram anedóticos 0,42% de aumento real.

Veja aqui a íntegra da pauta de reivindicações dos aeroviários e aqui o site do sindicato da categoria.

Você, amigo leitor, o que prefere?

Voar com uma tripulação mal paga e sem descanso ou com uma tripulação satisfeita e bem remunerada?

Você sabe quanto ganha o piloto que é responsável por centenas de vidas todos os dias?

Sabe há quantas horas está trabalhando sem parar o mecânico que fez a revisão das peças cruciais do avião?

No ano passado, as duas maiores empresas brasileiras, TAM e Gol, tiveram o maior lucro entre todas as empresas aéreas com ações negociadas na bolsa de Nova Iorque (aqui).

A Tam foi a campeã com U$ 771 milhões de lucro líquido. A Gol, em segundo, lucrou US$ 493 milhões.

Em 2010, a situação é quase a mesma. Com dados até o terceiro trimestre do ano, a TAM mantêm-se em primeiro com lucro de U$ 436,8 milhões. Já a Gol continua entre as dez mais lucrativas, caindo de terceiro para oitavo lugar com lucro líquido de U$ 64,9 milhões (aqui).

Para acabar com a greve, a Justiça deveria, ao invés de mandar que os aeroviários forçadamente voltem ao trabalho, determinar que as empresas aérias aceitem as justas reivindicações dos trabalhadores.

A decisão da Justiça não garante o "direito de ir e vir". Garante o lucro das empresas aéreas.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

De onde vem o tráfico?


Desde a eleição presidencial de 2006, o PSDB tem atribuído a culpa pelo tráfico de armas e drogas no Brasil a um suposto descontrole nas fronteiras terrestres do país.

O objetivo, é claro, é jogar a maior parte da responsabilidade pela criminalidade no colo do governo federal.

Em 2010, José Serra se superou. Chegou ao cúmulo de dizer que o presidente da Bolívia, Evo Morales, é cúmplice do tráfico (aqui).

Entretanto, acaba de sair uma pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça e pela ONG Viva Rio entitulada "Mapa do Tráfico Ilícito de Armas no Brasil" (aqui).

E o que diz esse estudo? O coordenador da pesquisa, Antônio Rangel Bandeira, é categórico:

"O número de armas que entra pelas fronteiras secas é irrisório se comparado com o número de armas fabricadas no país, compradas legalmente, que vão para a ilegalidade."

Ainda segundo Bandeira, é preciso aumentar o controle sobre a produção nacional já que apenas 20% das armas apreendidas são de fabricação estrangeira.

E onde está a indústria bélica nacional?

As cinco maiores empresas: Taurus, CBC, Rossi, Imbel, Urko e Amantino estão localizadas em apenas três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais (aqui).

Coincidentemente, os três são governados pelo próprio PSDB. (A partir de 2011, o RS passa a ser governado pelo PT)

Fantástico! A política do PSDB cria tensões diplomáticas com nossos vizinhos enquanto o grosso do tráfico de armas passa por baixo de seu bico.

Mas, para não dizer que não falei das flores, o governo federal tem sim muito o que fazer.

Se 80% das armas ilegais apreendidas são de fabricação nacional, isso significa que uma correta atuação da Polícia Federal, da Receita e dos demais órgãos de fiscalização e controle podem efetivamente reduzir o número de armas ilegais em circulação.

E isso sem precisar invadir país algum...



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"O Petróleo é Deles"


A Dilma foi no ponto. Eles estão de olho no Pré-Sal.
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Do site CartaMaior, por Igor Fuser:

No embalo do segundo turno, os lobbies conservadores e anti-nacionais reunidos em torno da candidatura de José Serra à presidência já se atrevem a defender sem disfarces um retorno ao entreguismo que marcou a gestão do petróleo brasileiro nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Eles querem a abertura irrestrita das fabulosas reservas do pré-sal brasileiro, a maior descoberta petrolífera dos últimos trinta anos no mundo inteiro, à voracidade das empresas multinacionais. O assanhamento é tanto que, em entrevista ao jornal Valor, David Zylbersztajn, “assessor técnico” da campanha de Serra para a área de energia, distorceu completamente a realidade dos fatos com um grosseiro erro de informação ao defender que, num eventual governo demo-tucano, a exploração do pré-sal ocorra nos marcos do atual regime de concessões, em escandaloso benefício do capital transnacional.

O argumento apresentado por Zylbersztajn, ex-genro de FHC e presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) quando se realizou o primeiro leilão de reservas brasileiras entregues ao capital estrangeiro, em 1999, tem como foco uma questão contábil. De acordo com ele, o atual regime de concessões é melhor que o de partilha porque que o governo recebe antecipadamente o dinheiro referente ao bônus de assinatura, quantia cobrada às empresas em troca do direito de explorar as reservas. “No sistema de partilha, você só vai receber lá na frente”, alegou. “Depois de ter descontado o que gastou com o campo, vai receber sua parte em óleo, que vai ter que ser vendido. Isso só vai gerar alguma coisa lá na frente. Enquanto hoje, se licitar um campo, o governo coloca dinheiro no Tesouro hoje mesmo", disse.

Uma simples consulta ao Projeto de Lei 5.938, que cria o regime de partilha, é suficiente para revelar a falsidade do raciocínio apresentado por Zylbersztajn contra o regime de partilha. No seu capítulo II, parágrafo XII, o projeto do atual governo afirma textualmente que o bônus de assinatura é “um valor fixo devido à União pelo contratado, a ser pago no ato da celebração e nos termos do respeito do contrato de partilha da produção”. Essa norma é reiterada mais adiante, no capítulo V, parágrafo II, que trata dos editais de licitação. Como se pode conceber que um especialista ignore uma regra formulada em termos tão claros?

Curiosamente, o mesmo Zylbersztajn se mostra muito zeloso em esclarecer que suas declarações não representam o ponto de vista oficial da campanha de Serra. "A minha opinião é pelo lado técnico, mas dentro do contexto político, eu não sei”, ressalvou, para em seguida voltar à carga contra o regime de partilha: “Eu aconselharia a deixar o que está funcionando bem do jeito que está. Se houvesse justificativa para mudar, tudo bem", insistiu, deixando claro que não vê nenhum motivo para a troca do regime de concessões pelo de partilha, como propõe o governo Lula e sua candidata, Dilma Rousseff.

A linguagem escorregadia tem a ver com o cuidado de Serra em evitar uma postura de ataque frontal à mudança nas regras do pré-sal. Em vez de expor abertamente suas intenções, o candidato tucano prefere manifestar “dúvidas” sobre a utilidade do regime de partilha. Enquanto isso, o centro de estudos do PSDB, Instituto Teotônio Vilela, bombardeia sem sutilezas o projeto governista. Em entrevista ao jornal O Globo, em abril, o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), porta-voz oficioso dos tucanos para os assuntos petroleiros, chamou de “retrocesso histórico” a lei que retira o pré-sal do sistema de concessões e o transfere ao controle estatal por meio de uma nova empresa, a Petro-Sal. Nas suas palavras, trata-se de um “erro estratégico” comparável à fracassada Lei de Informática, de 1984.

Até o dia 3 de outubro, esse assunto era mantido em surdina pelos tucanos, quase como um tabu. Agora que o assessor de Serra saiu a campo em defesa da posição privatista, o candidato corre o risco de ser cobrado pelos seus adversários em uma questão crucial para o desenvolvimento do país e o bem-estar dos brasileiros. No caso de Zylbersztajn, a margem de opção é nula. Como presidente da empresa de consultoria DZ Negócios com Energia, voltada para a prestação de serviços a “investidores interessados no mercado brasileiro”, conforme o site da firma, ele tem mesmo é que defender os interesses dos seus clientes estrangeiros, nem sempre coincidentes com os interesses da sociedade brasileira. Entre os seus clientes está a AES Eletropaulo, companhia de eletricidade paulista privatizada em favor do capital estadunidense durante o governo tucano de Mário Covas.

Para que se compreenda o que está em jogo no pré-sal, recorde-se que, no regime de concessões, implantado por FHC, todo o petróleo retirado do subsolo se torna, automaticamente, propriedade da empresa concessionária, que pode fazer com ele o que quiser (salvo algumas restrições só aplicáveis em casos excepcionais). Atualmente, as empresas estrangeiras é que determinam o ritmo de exploração das reservas. Elas também escolhem, por sua própria conta, os fornecedores de equipamentos, em geral importados. Como retribuição ao governo, essas concessionárias se limitam a pagar uma porcentagem sobre o valor da produção (os royalties) e mais algumas taxas, o que totaliza, no máximo, 40% da renda obtida com o petróleo. Esse é um percentual altamente vantajoso, comparado com os 80% cobrados pelos maiores produtores mundiais.

Já no regime de partilha, tal como propõe o governo, a União mantém a propriedade do petróleo obtido, o que lhe dá o direito de ditar a política de exploração. O volume produzido e a duração das reservas podem ser administrados de acordo com objetivos de política econômica. E o Estado é quem estabelece as normas para os investimentos e a política de compras, a partir de metas voltadas para o desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais, criação de empregos e aperfeiçoamento tecnológico. O regime de partilha, adotado atualmente por cerca de 40 países, representa, historicamente, um avanço em relação ao sistema neocolonial das concessões, que vigorou na primeira metade do século XX, época em que a indústria do petróleo era dominada pelo famoso cartel das “Sete Irmãs”.

A participação nacional na riqueza do petróleo será sensivelmente maior no caso de aprovação das novas normas defendidas pelo governo Lula. De acordo com os projetos de lei em discussão no Congresso, a estatal Petro-Sal controlará a exploração dos blocos petrolíferos do pré-sal, garantindo à Petrobras uma participação mínima de 30% em cada área de produção. Mais importante: caberá à empresa brasileira a função de operadora de todas as áreas de extração, de modo a garantir que as decisões estejam afinadas com os objetivos do desenvolvimento nacional.

Os royalties aumentam para 15% e a participação estatal na renda petroleira – aí incluídos União, Estados e municípios, segundo regras que ainda estão em debate – ultrapassa, de longe, os 50%. O aumento dessa fatia se deve, em parte, à recente capitalização da Petrobras, quando a participação acionária da União pulou dos 32% a que foi reduzida nos tempos de FHC para os atuais 48%. Tudo isso, sem a necessidade de gastar um só centavo do dinheiro público, pois a União utilizou como moeda o petróleo que ainda repousa no fundo do mar.

Zylbersztajn encara essas proezas com azedume, e parece até torcer para que tudo dê errado. Na entrevista ao Valor, profetizou que a Petro-Sal será um antro de corrupção e reprovou a presença de uma estatal brasileira no comércio de petróleo – algo que a Petrobras já vem fazendo há muito tempo, com notável eficiência. Na realidade, a mudança que o governo Lula está propondo significa um avanço bem modesto, comparado com as propostas mais ousadas defendidas por um conjunto de entidades e movimentos sociais agrupados na campanha “O Petróleo Tem Que Ser Nosso”, como a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet). Um projeto de lei alternativo, assinado por 21 congressistas, do PT e do PCdoB, prevê que a Petrobras volte a ter 100% do seu capital nas mãos do Estado e que sejam anulados os contratos de exploração petroleira por companhias privadas feitos após a promulgação da Lei 9.478, de 1997.

O projeto do governo representa uma posição intermediária entre o marco regulatório neoliberal adotado por FHC e as posições mais nacionalistas defendidas pelos sindicatos e outros atores no campo popular. Para se ter uma idéia, nas áreas do pré-sal já leiloadas continuará em vigor o regime das concessões, em estrito cumprimento aos contratos já firmados. Dessa forma, se as coisas correrem conforme os planos traçados pela equipe de Lula, o petróleo brasileiro do pré-sal seguirá como um negócio muito atraente para os investidores estrangeiros. Que o digam os chineses, cada vez mais confiantes no Brasil como um parceiro indispensável perante as incertezas do abastecimento de energia no futuro.

Ainda assim, há quem se mostre insatisfeito. Inclusive brasileiros, como Zylbersztajn. Para esses – os executivos das multinacionais petroleiras e seu séquito de consultores, acadêmicos e jornalistas – a passagem de Serra ao segundo turno é um fator de alento. Quem sabe, imaginam, seja possível retomar o fio da história no ponto em que estava em janeiro de 2002, quando o banqueiro (recentemente falecido) Francisco Gros, em seu primeiro ato após a posse como presidente da Petrobras, anunciou aos investidores em Houston, nos EUA, que sua missão era privatizar a empresa. Seu antecessor, Henri Philippe Reichstul, tentou – e quase conseguiu – trocar o nome da estatal para Petrobrax, supostamente mais agradável aos ouvidos dos potenciais compradores em uma planejada privatização. Agora, com as reservas do pré-sal avaliadas em centenas de bilhões de dólares, o prato se tornou bem mais suculento. E o apetite, maior.

(*) Igor Fuser é jornalista, professor na Faculdade Cásper Líbero, doutorando em Ciência Política na USP e autor do livro “Petróleo e Poder – O Envolvimento Militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico” (Editora Unesp, 2008).


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A verdade é o antídoto contra os boatos




A propaganda reacionária e baseada em meias-verdades e mentiras inteiras do PSDB conseguiu, na reta final do 1 turno, o efeito desejado de retirar votos da Dilma.

O PIG fez bem seu papel de abastecer a campanha da direita com uma avalanche de factóides e boatos mentirosos.

Como linha auxiliar, o Serra contratou o marketeiro indiano Ravi Singh, famoso pela sua estratégia de usar e abusar de e-mails falsos para disseminação de boatos (aqui).

É verdade que toda essa máquina é poderosa. Mas, isso não significa que não deve ser combatida.

O excelente site Seja Dita Verdade, que a partir de agora está na lista de recomendados por este blog, fez uma lista dessas mentiras que circulam na web e, com muita competência e clareza, desmentiu-as todas.

Segue abaixo a lista. Com certeza, você já deve ter ouvido falar de algumas delas.

Agora, você pode fazer sua parte. Não aceite boatos. Repasse o antídoto.

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A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzil é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O branco votou no verde




Contrariando a expectativa de muitos, inclusive a deste blogueiro, a eleição para presidente vai para o segundo turno.

Como em 2006, achou-se que o bom desempenho nas pesquisas e uma campanha plasticamente bem feita seriam suficientes para ganhar a eleição já no primeiro turno.

Mas, a esquerda não ganha eleição para presidente desse jeito.

Amparados no amplo apoio da imprensa golpista e nos preconceitos difundidos pelos conservadores em todos os cantos do país, os demo-tucanos conseguiram virar votos decisivos.

É verdade que esses votos não foram para seu candidato, José Serra, mas sim para Marina.

Os votos extras de Marina são votos de quem não viu diferenças importantes entre Dilma e Serra. Ou melhor, de quem acha os dois igualmente ruins. Captam uma faixa do eleitorado que diz ter "nojo" de política, que "ninguém presta", etc.

Politicamente, é para esse eleitorado que existe a tecla "branco" na urna eletrônica.

Marina não puxou apenas os votos "verdes", puxou também os votos "brancos".

A questão é que há enormes diferenças entre Dilma e Serra.

No segundo turno de 2006, Lula soube, com razão, carimbar o PSDB como o partido da privatização. Demarcou diferenças. Tornou-as claras para a maioria da população ao ponto que Alckimin teve menos votos no segundo do que no primeiro turno.

Agora, em 2010, a situação é parecida.

Só musiquinha não vai resolver. Tem que ter mais política.

Temos que mostrar para a população brasileira, e não apenas aos eleitores de Marina, as grandes diferenças políticas entre Serra e Dilma, entre as forças políticas que apoiam o tucano e as que apoiam a petista.

Mostrar o alinhamento automático e submisso do Serra aos interesses dos Estados Unidos contra os interesses nacionais.

Mostrar que o PSDB e o PFL continuam sendo os partidos das privatizações, do Estado Mínimo e do neoliberalismo extremado.

Que os demo-tucanos, seja no governo federal seja nos governos estaduais, perseguem e criminalizam os movimentos sociais e a organização popular.

Que foi no governo Lula/Dilma que houve aumento real do salário mínimo e da rede de proteção aos mais pobres.

Ao mesmo tempo, esclarecer e prevenir a população contra as manipulações e os preconceitos que virão ainda mais fortes.

Se o segundo turno servir para politizar a campanha, terá valido a pena.

Como disse o Brizola Neto: "se temos mais um passo a dar, que ele nos leve mais longe".

sábado, 18 de setembro de 2010

Por que o PIG apoia o Serra?


A explicação para a furiosa campanha que o PIG tem feito contra a Dilma vai além da concordância com as propostas reacionárias do consórcio PSDB/PFL.

Desacreditada e com as vendas em queda (aqui), a imprensa golpista precisa das gordas verbas publicitárias repassadas pelos governos do PSDB (felizmente, o PFL não tem mais nenhum governador) para continua viva.

No governo FHC, 90% das verbas publicitárias do governo federal e das estatais iam para a Rede Globo. No governo Lula, esse número caiu para 52% (aqui).

Serra é igualmente generoso. Vejam quanto ele gastou há menos de 04 meses da eleição para manter a lealdade do PIG à sua derrotada e aética campanha:

Membro do PIG

Número do Contrato

Data

Número de Assinaturas

Valor

Revista IstoÉ

15/00548/10/04

27/05/2010

5.200

R$ 1.203.280,00

Jornal O Estado de São Paulo

15/00545/10/04

28/05/2010

5.200

R$ 2.568.800,00

Revista Veja

15/00547/10/04

29/05/2010

5.200

R$ 1.202.968,00

Jornal Folha de São Paulo

15/00550/10/04

08/06/2010

5.200

R$ 2.581.280,00

Revista Época

15/00546/10/04

11/06/2010

5.200

R$ 1.202.968,00

Total




R$ 8.759.296,00

fonte: Tijolaço

R$ 8,7 milhões! Em menos de 15 dias!

Esse é o verdadeiro escândalo nacional. Não os factóides inventados pelo PIG.

Em 03 de outubro, daremos o troco.



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Indignação seletiva


Há algum tempo, li na internet, não lembro onde, um excelente artigo sobre a chamada indignação seletiva do PIG.

Esse termo refere-se à maneira como o PIG seleciona quais notícias irão se transformar em "escândalos nacionais" e quais serão olimpicamente esquecidas.

A regra de decisão não é a gravidade ou o interesse público pelo tema. Na verdade, é uma regra bem simples que até o mais puxa-saco dos jornalistas do PIG consegue entender: se for contra o governo, reperdussão máxima. Se for contra a oposição, esqueça.

Na última semana o PIG foi pródigo em exercer sua indignação seletiva. Vejamos:

A CartaCapital dessa semana, traz uma detalhada matéria de como uma empresa chefiada pela filha do Serra, Verônica Serra, quebrou o sigilo bancário de milhões de brasileiros durante o governo FHC, do qual seu pai era ministro (aqui).

Por outro lado, a Veja, também dessa semana, traz um denúncia de que o filho da ex-acessora de Dilma e então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, estaria praticando tráfico de influência (a política de higiene do blog não permite que eu coloque um link da Veja aqui, mas tenho certeza que você já viu essa notícia.)

O que aconteceu depois? Uma investigação imparcial e cuidadosa de ambas as denúncias?

Para a filha do Serra, foi moleza. Não precisou dizer nada. A denúncia contra ela e as possíveis ligações do seu pai no esquema simplesmente sumiram. É como se nunca houvessem existido. Ninguém fala delas.

Erenice não teve o mesmo tratamento privilegiado. Ela é do PT, portanto, está em seu DNA a corrupção. Toneladas de tinta e papel são gastas para tentar, a qualquer custo, ligar as acusações contra o filho da ex-ministra com a Dilma.

Ontem, o Jornal Nacional massacrou os expectadores tentando fazer essa ligação. Acho que nem quando o Brasil ganhou a Copa uma matéria teve tanto tempo no JN. Na verdade, é difícil saber onde termina o jornal e onde começa a propaganda do Serra.

E o "escândalo" da Receita? Não. Esse já era. Não colou.

A bola da vez é o filho da Erenice. Como sempre, o PIG vai substituir a falta de provas factuais por centenas de matérias com meias-verdades e especulações. Não há tempo a perder, afinal, a eleição é daqui a apenas 15 dias.

Nesse exato momento, enquanto você lê esse blog, dezenas de jornalistas do PIG vasculham seus arquivos procurando uma foto da Dilma com o filho da Erenice. Vale até em coluna social. Não importa. O importante é conseguir alguma coisa que possa ser usada como peça publicitária.

E ainda não acabou. O fundo do poço é mais embaixo. Até o dia da eleição, PIG e o PSDB farão com que as manipulações da eleição de 1989 pareçam coisa de criança.

De tudo isso, pelo menos uma coisa foi positiva. Antes de sair da Casa Civil, Erenice falou o que todos os brasileiros falarão em 03 de outubro: Serra é um político derrotado e sem ética.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FIDELidade sempre!


Há alguns dias, o PIG, nacional e internacional, espalhou pelo mundo a incrível mentira de que Fidel Castro não era mais socialista (aqui).

Em seu delírio, o PIG exultava. Transbordava de felicidade. Fidel, o homem que junto a seu povo e seu partido vem , há 50 anos, derrotando os capitalistas de todo o mundo, ele, justo ele, havia se rendido.

Mas, apenas os tolos acham que suas mentiras podem tornar-se realidade pelo simples fato de serem amplamente divulgadas.

Então, menos de 2 dias após a falsa notícia, surge O Comandante, uniforme verde oliva, para mais uma vez calar o PIG:

"A verdade é que minha resposta significa exatamente o contrário de que ambos os jornalistas norte-americanos entenderam sobre o modelo cubano. Minha idéia, como todo o mundo conhece, é que o sistema capitalista já não serve nem para os Estados Unidos nem para o mundo, pois conduz a crises e mais crises cada vez mais constantes e globais" (aqui).

O PIG fechou-se em copas.

Vão tentar esquecer do assunto. Torcerão para que o mundo acredite na mentira divulgada. Dirão que Fidel se arrependeu de seu arrependimento.

O desmentido de Fidel não terá nem um décimo da divulgação da falsa notícia.

Essa é mentira número 78.984.562.389 que inventam contra a Revolução Cubana.

Fidel dorrotou todas.